quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Como se relacionar aos 46?

Tenho 46 anos.

E sou Borderline, ou seja, tenho muita dificuldade com relacionamentos interpessoais.

Essa semana publiquei um post no Facebook (e depois apaguei) onde eu criticava as pessoas por não serem minhas amigas. Foi minha face Borderline falando. Tive uma recaída. E foi horrível, pois tomo tanto remédio para ser "normal". Só que esse pensamento de como me relacionar aos 46 é algo intermitente na minha cabeça.

Vejo fotos de pessoas juntas,bebendo, se divertindo, namorando, se relacionando. E eu sempre sozinha. Não consigo. Não sei por onde começar. Não sei o que fazer. Não sei.

Nos últimos quase sete anos, desde que me divorciei, só conheci homens via Internet. Sites de namoro. Sites de sexo. Sites de traição (sim, porque existem solteiros em sites de traição). Porque não sei conhecer pessoas reais no mundo real. Simplesmente não sei o que fazer.

Então, como se relacionar aos 46 anos? Ah, eu daria um milhão de dólares para quem tivesse a resposta. Pois não há. Não consigo fazer turma, pois minha expectativa é muito alta e acabo me decepcionando. Não consigo ter um namorado, pois me apaixono perdidamente nas primeiras 48 horas, e a pessoa não corresponde. É uma doença muito séria e eu estou tratando. Juro que estou tratando. Faço terapia para discutir tudo isso.

E lógico que existe o aspecto físico. Quando eu estava com 105 quilos, como iria me relacionar com alguém? Me sentia enorme, feia, inchada. Quem ia querer saber de mim? Agora, operada, e já tendo emagrecido 14 quilos, começo a ver luz no fim do túnel. Vou emagrecer mais, vou voltar para o meu peso ideal - se bem que isso vai demorar alguns meses - e aí... por onde começar?

Meu psiquiatra e minha terapeuta dizem que agora é hora de cuidar de mim. De ser egoísta mesmo. De olhar para dentro e me curar internamente, para estar bem para o outro. Mas isso é muito solitário. São noites e noites olhando para o teto. São quase sete anos sem dormir com alguém (sem ser meus bichos) na minha cama. E acordar e transar logo cedo e olhar olho no olho naquela preguiça boa de domingo de manhã, sabendo que podemos ficar o dia inteiro na cama e nada vai nos atrapalhar.

Sinto falta disso. Do toque, do abraço apertado, do beijo apaixonado.

Sinto falta das gargalhadas, das viagens, das amizades, da cumplicidade daqueles que sabem o que você está pensando.

Por isso, não tenho a resposta. Não sei como me relacionar aos 46 anos.

Quem sabe um dia me venha uma luz e me explique. Até lá, continuarei sozinha.