terça-feira, 27 de setembro de 2016

A arte de não fazer nada

Eu não faço nada. 

Até faço... mas meu dia é... estranho.

Eu acordo, lavo a louça, tomo café... tem dias que levo meus filhos para a escola. Aí tiro a roupa do varal, arrumo o quarto das crianças, ajeito o meu... vejo o que meus filhos vão almoçar e jantar para poder tirar do freezer, coisas assim.

E espero.

Espero entrar algum e-mail referente ao trabalho que me faça fazer alguma coisa.

Mas raramente entra.

Atualmente tenho dois clientes. Nesta crise, me sinto abençoada por todos os deuses por ter esses dois clientes. Mas pouco faço.

Então, nos entremeios, eu assisto séries e mais séries. Filmes e mais filmes. Ainda bem que existe Netflix e Putlocker. São a minha salvação.

Porque eu não faço nada.

Eu limpo o cocô dos gatos nas caixinhas, e o mijo da minha cachorra, que está com incontinência urinária, pela casa. De vez em quando vou ao supermercado ou ao sacolão. Pego meu filho na escola 3x por semana. 

E então, não faço nada.

Assisto o Jornal da Band. O Jornal Nacional. O Em Pauta na GloboNews.

Assisto mais algum seriado tosco que ninguém nunca ouviu falar. Tomo banho. Lavo o cabelo.

Aquele e-mail sobre trabalho não entrou hoje, talvez nem entre amanhã.

Então eu não faço nada.

Mexo no Facebook, no Instagram, às vezes no LinkedIn para ver se aparece algum trabalho para frilas como eu. Lavo a louça. Ponho meu filho pra dormir. Dou um beijo na minha filha.

Tomo meus remédios e deito na cama, já exausta de não ter feito nada.

Porque eu não faço nada.