terça-feira, 19 de julho de 2016

O passo a passo de uma cirurgia bariátrica

No começo de junho deste ano, fui escolhida para ser uma das assessoras de imprensa do Congresso Mundial da Federação Internacional de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. Mal sabia eu que estaria eu mesma passando por este processo um mês depois.

Decidir pela cirurgia foi fácil. Eu havia ido ao ginecologista e a secretária dele, que emagreceu 39 quilos, me contou que fez a bariátrica com um médico que atende pela Sulamérica. No dia seguinte liguei pra ele e peguei o telefone dela, mas qual foi minha surpresa quando o próprio médico me telefonou para tirar algumas dúvidas. Marquei consulta e uma semana depois estava no consultório dele.

Ele me explicou tudo o que é necessário: os exames pelos quais eu teria que passar (endoscopia, ecocardiograma, eletrocardiograma, raio X de pulmão, ultrassom de abdomen alto, e vários exames de sangue), e que eu teria que ter o laudo de um cardiologista, um endocrinologista, uma nutricionista, meu psiquiatra e minha psicóloga.

À princípio, eu havia me programado para conseguir toda essa papelada e operar apenas na primeira semana de outubro, mas quando fui olhar minha agenda - além da ansiedade de esperar tanto tempo - outubro é um mês cheio de feriados judaicos, crianças em casa muitos dias, pouco sossego. Fora a ansiedade que eu já mencionei.

Aí chegaram alguns dos resultados dos meus exames de sangue. Ah, e quando me pesei no consultório do gastro, a balança registrou 103 quilos, o maior peso que eu já estive até agora, e o IMC perfeito (40,2) para operar pelo plano de saúde sem comorbidades (as doenças graves que vêm com o peso alto). Eu tenho algumas: colesterol, insulina, triglicérides e glicemia no telhado, e esteatose no fígado.

Passada a consulta no gastro, a primeira consulta que marquei foi na nutricionista. Aiii que sono. Ela quis me passar uma dieta funcional daquelas que temos que comprar TUDO diferente, castanhas pra cá, farinhas diferentes pra lá... eu pretendo ter uma alimentação saudável após a cirurgia, mas agora? Vamos cair na real!! Emagrecer eu não posso de jeito nenhum. Ela não me deu o laudo, e eu saí da consulta dela com uma dieta em mãos, e puta da vida. Depois conversei com ela por whatsapp. Disse que até o fim de julho eu precisava que ela entregasse o laudo para o meu médico.

Nesse meio tempo, resolvi num num dia de ansiedade mudar minha cirurgia para o fim de agosto, data inicialmente sugerida pelo gastro. Entrei em vários grupos no facebook para tirar dúvidas. Pessoas de todas as faixas etárias, níveis sócio-econômicos, raças, credos, gêneros. Todos contando como foi difícil as primeiras semanas, mas que se pudessem, fariam tudo de novo. 

Não tive mais dúvidas: fim de agosto.

Hoje foi fazer a endoscopia. Na quinta-feira é a fez do ecocardiograma, do eletro e do raio X do pulmão.

Semana que vem faço meus exames ginecológicos (tudo começou com meu ginecologista, certo?) e um deles é o ultrassom de abdomem alto. Na semana que vem passo pelo cardiologista e pelo endocrinologista (que é um ex-namorado meu...). 

Aí falta o laudo do meu psiquiatra - o mais importante - e a carta da minha psicóloga. Meu psiquiatra é um cara de bom senso e tenho certeza de que estará ao meu lado durante esta decisão. A psicóloga já disse que entregará a carta.

E aí é hora de levar tudo ao gastro e ele dar entrada no plano de saúde, que tem x dias úteis para retornar. Aí que realmente  começará a bater a ansiedade, pois é uma mudança radical de vida. Meu estômago passará a ter 180ml e é isso que eu poderei consumir em uma refeição. 

Mas estou super preparada para essa mudança. Para não ter mais problemas de saúde. Para voltar a vestir aquela calça tamanho 40. Para minha autoestima voltar. Estou muito preparada. Mais que preparada!