segunda-feira, 25 de julho de 2016

O diabetes

Eu já suspeitava, mas não queria admitir. Com os resultados de sangue todos alterados... era fato. Mas eu precisava ouvir da boca de um endocrinologista. Problema: o endocrinologista indicado pelo outro médico é um ex-namorado. Segura a vergonha, Cléa, mesmo com quantos quilos mesmos... 103 quilos. Marca consulta e vai.

Fui. Ackward.... Sorrisinhos assim, sorrisinhos assado, pedi desculpas pela tensão no ar "sabe, lutei para não vir aqui durante anos, mas muita gente indicando, não deu certo". Cléa, sobe na balança. 104 quilos. Engordei mais 1 em 2 semanas. É a ansiedade pré-cirúrgica.

Ele pega os laudos de todos os 500 exames que fiz para ver. Cléa, você está diabética. Caralho. Eu não sabia. Imaginava, mas não sabia. Agora... nem vamos tratar direito. A cirurgia vai consertar. Aliás, santa cirurgia que eu tanto espero, vai consertar o colesterol, a dor nos pés, a esteatose hepática, a autoestima. Vai consertar, sarar, salvar.

Depois me diz como me senti. Meu ex-namorado, que me conheceu e me namorou quando eu pesava 55 quilos, me vendo e sendo meu endocrinologista com 104 quilos. Ainda estou em estado de choque. Não sei se pela consulta e o carinho dele, ou se pelo fato de descobrir por A + B que tenho diabete mellitus tipo 2. Puta que o pariu. Hoje foi um dia e tanto.

Mas, só vou ficar tranquila quando o plano de saúde autorizar a cirurgia. Até lá, vou roer as unhas pra não comer Nutella.