sexta-feira, 22 de julho de 2016

Eu não sei trabalhar em equipe

Hoje vou mudar de assunto e falar de trabalho. 

Eu não sei trabalhar em equipe. Não sei se isso tem a ver com minhas doenças mentais. Acredito que sim. Mas desde os primórdios dos meus primeiros empregos, nunca fiquei mais do que 1,5 ano em uma empresa. 

Comecei a trabalhar aos 16 anos como recepcionista de uma academia. Eu havia terminado o colegial, tinha que esperar um ano, pois ia fazer intercâmbio, e consegui esse emprego. O fato de ter data para acabar foi pra mim maravilhoso, pois não me gerava ansiedade. E eu tinha academia de graça. Foi um trabalho divertido, de janeiro a dezembro. O único que realmente gostei.

Depois, já na faculdade, tinha muita facilidade em passar em concursos. Trabalhei nos Correios - fui selecionada entre 3 mil candidatos. Pegava ônibus da faculdade para o estágio. Me enchia o saco, mas até que eu gostava. Quando acabou o ano letivo, quiseram renovar comigo por mais um ano, mas eu havia passado no concurso da Comgás, que era bem mais perto, e resolvi trocar.

Já formada, comecei a procurar emprego em agências, mas fui parar em uma empresa de tecnologia, a TecBan, Lá fiquei mais de um ano, até ser sumariamente mandada embora por uma administração podre. E aí comecei a trabalhar em assessorias de imprensa. Foram várias: Primeira Página, ADS, S2, Máquina da Notícia, Publicom, Ketchum. Em nenhuma cheguei a completar dois anos. Eu fui diagnosticada com depressão aos 25 anos. Tenho certeza de que minha doença influenciava no dia a dia. Eu me enchia o saco. Não aguentava ter horário fixo, não aguentava ter chefe, meu humor mudava 20 vezes durante o dia... e eu acabava pedindo demissão, ou sendo mandada embora.

Em 2005, abri minha própria agência, e foi aí que me descobri: eu podia fazer meu próprio horário. Era boa em vender meu próprio peixe, conquistar clientes, fazer parcerias. Contratava gente para fazer o trabalho que eu não gostava, que era o de vender pauta. Mas em 2008 fiz a cagada de deixar meu ex-marido vir trabalhar comigo. Se eu tivesse contratado alguém para administrar a agência, talvez as coisas não tivessem chegado ao ponto que chegaram. E em 2010, me divorciei e tive que fechar a agência física e vir trabalhar em casa.

Desde então, tentei trabalhar fora em outras agências 3 vezes. Na primeira, levei um tombo, estourei meu pescoço (sou operada da coluna) e não pude mais ir, pois precisava ficar em repouso. E era um job de três meses. Na segunda, fiquei quase dois meses trabalhando e entrei em depressão profunda. O dono da agência pagou dois meses... quando eu voltei, me mandou embora. E agora, há pouco mais de dois meses, tentei trabalhar em uma escolinha de informática e não aguentei. Rádio-peão, pessoas insatisfeitas, clima ruim. Comecei a ficar doente de novo, e meu médico pediu para sair,

Então no momento tenho três trabalhos: um cliente de telecomunicações que divido com outra agência, um cliente de redes sociais que é bem tranquilo, e um job de um congresso com duração de três meses. Depois disso não sei qual será meu futuro, O mínimo para viver eu tenho. Mas minha doença não me deixa mais alçar grandes voos. Tenho que pensar na minha estabilidade, e isso requer ficar satisfeita com o mínimo para me manter ocupada, mas sem grandes emoções.

Ser doente mental interfere demais no trabalho.