sábado, 16 de julho de 2016

Com equilíbrio, sem equilíbrio, o círculo da vida

Há sete meses comecei uma jornada longa em direção à minha melhora psicológica. Foram muitas adversidades, um caminho tortuoso, muito duro, teve momentos que pensei em desistir da minha vida, tive surtos, problemas mil. Os remédios demoravam para fazer efeito e eu, na minha impaciência, mandava mil mensagens de whatsapp para meu psiquiatra, frustrada, acabada, sem mais forças para fazer nada.

Porém, a melhora, por mais incrível que pareça, foi chegando assim, de fininho. Fui saindo de casa, olhando ainda receosa para o mundo, com muito medo de viver. Engordei demais devido à compulsão alimentar e surtos alimentares incontroláveis, perdi meu equilíbrio, meu rumo, passei a usar tamanho 50 da noite para o dia literalmente.

E isso mexeu comigo num nível tão profundo que já não conseguia mais viver, mais olhar no espelho, me vestir se tornou uma coisa automática, sem graça, visto o que entrar, não me arrumo, não me acho bonita, nada.

Até que deu um clique. Preciso melhorar. Preciso ter qualidade de vida.

Voltando um passo... o trabalho começou a voltar. Acabei assumindo compromissos demais e chegou um dia que minha cabeça deu tilt. Eu estava com cinco compromissos profissionais e não estava dando conta. Falei com meu médico, ele disse para cortar um deles. Tentei, o cara pediu para ficar mais tempo, fiquei, mas a contragosto, lugar com mimimi, rádio-peão, pessoas insatisfeitas, aquilo foi me deixando agoniada, até que essa semana que passou dei um basta. Chega. Não preciso me sentir assim. Meu médico pediu equilíbrio.

E aí volto à questão: por que encontrar equilíbrio é tão importante? Porque o paciente psiquiátrico precisa de equilíbrio como precisa do ar para respirar. Precisamos de rotina, de horário, precisamos ter tempo para o trabalho, tempo para o lazer, tempo para o ócio. Ahhh como seria bom se todo mundo pudesse ser assim. Sem stress, sem ficar no trânsito... me sinto privilegiadíssima por trabalhar em casa. 

E o meu equilíbrio, qual é? É tomar minha medicação na hora certa. É fazer meu trabalho sem uma carga de cobrança enorme. É estar com meus filhos, que me deixam centrada. É viver em paz. Sem dramas. Sem pensar se alguém vai me convidar para sair. Sem ter vida social (no momento). Sem ter vida romântica (no momento).

Chegou a olha de falar de outra coisa: a impulsividade e como ela afeta o equilíbrio. Quando decidi em passar por uma cirurgia bariátrica, não sabia que isso despertaria em mim a tão temida impulsividade que me tira o equilíbrio. Mas ela apareceu? Como? Em forma de texto. Quando estou impulsiva, escrevo para desabafar. Muitas vezes escrevo textos desconexos, mando emails gigantes sem querer, o prazer de apertar o "enviar" é como uma droga. Quero mais e mais e mais. 

Então, desde que decidi pela cirurgia, a impulsividade voltou. Quero escrever sobre como estou me sentindo, sobre cada passo, quero contar, falar da minha experiência, compartilhar com 6 bilhões de pessoas o que estou sentindo. Quero gritar para o mundo: EU TOMEI A DECISÃO DE OPERAR E ESTOU ME SENTINDO SUPER FELIZ A RESPEITO!

Quero ser reconhecida pela minha decisão. Mas combinei com a minha mãe que manteria o assunto em segredo. Não consigo. Quem lê meu blog já está sabendo. Já contei para alguns amigos. Já escrevi na página do Facebook. Já não é mais segredo. 

Mas por que sou tão impulsiva? Por que não consigo manter certos segredos? Mas por que manter coisas em segredo? Tem gente que vive muito bem sem se expor. Mas eu escolhi o caminho da exposição assim que criei esse blog. Quero contar minha história. Não decidi ser jornalista sem motivo. Escolhi porque amo escrever. Escrever sobre mim ajuda a manter minha mente sã. 

Pelo jeito tenho muito ainda o que discutir em terapia. Aliás, fazer terapia na padaria é muito melhor do que numa sala fechada. Me sinto mais próxima da minha terapeuta. O papo flui melhor. Sei que não somos amigas, mas parece duas amigas conversando... quem vê de longe não sabe que lá está rolando uma sessão de terapia. E é tão mais fácil assim.

Sei que precisarei de acompanhamento psiquiátrico e psicológico para o resto da vida. Vou incluir agora na minha vida o acompanhamento de um gastroenterologista e de uma nutricionista. Mas tudo vai valer a pena. Quero voltar a usar 40. Quero olhar no espelho e redescobrir a mulher sexy e bonita que existe debaixo de tanta gordura. Quero olhar o resultados dos meus exames de sangue e ver tudo normal.

Quero o equilíbrio.