quarta-feira, 22 de junho de 2016

A vida como ela é

Dezembro de 2015 - Junho de 2016. Tratamento psiquiátrico. Várias trocas de remédios. Tempo improdutivo. Surtos psicóticos. Depressão. Choro. Muita terapia. Tristeza. Incapacidade. Foram sete meses na escuridão. 

Mas, aos poucos, os remédios foram fazendo efeito. A produtividade voltou. O trabalho também. Primeiro um retorno de um job que eu até já havia esquecido, e acabei sendo selecionada. Depois, a oportunidade de trabalhar meio período em algo fora da minha área, para complementar minha renda. E, por fim, a volta de um antigo cliente, que não aguentou ficar nem seis meses sem meus serviços. Fez bem pro ego. Fez bem pra alma. 

A grana ainda está curta. Muitas dívidas contraídas em um período de vacas magras, não só para mim, mas também para milhões de brasileiros. Hoje, acordo e tenho um objetivo... ao invés de ficar o dia todo de pijama escondida no meu quarto. 

Vi o pior de mim... cheguei ao fundo de um poço que eu nunca tinha experimentando antes. Vi o suicídio de perto... e entrei em depressão profunda quando a psicose foi embora. Quem nunca teve nunca vai entender os sentimentos, as sensações, o desespero, a impotência.

Sei que preciso de cuidados constantes. Psiquiatra mensalmente. Terapia toda semana. Remédios. Respirar. Pensar antes de falar. Ponderar. Ser menos impulsiva. Viver a vida com mais leveza.

Ainda não me considero uma pessoa feliz. Mas o que é a felicidade? Estar apaixonada? Ter dinheiro? Ter a vida nos eixos? Não tenho a resposta. Hoje estou estável. Estabilidade é a palavra mais importante para mim no momento.

Estabilidade.   

sábado, 11 de junho de 2016

Uma reflexão sobre o amor e o doente mental

Amanhã é dia dos namorados. Fui casada por nove anos, com mais dois anos de namoro, e nesse tempo não precisei me preocupar com a data, pois estávamos sempre meio quebrados, não trocávamos presentes, nem preparávamos nada especial. Foi aí que percebi que minha vida toda foi assim. Tive poucos namorados. O primeiro, aos 18, pra quem não perdi minha tão guardada virgindade, não estava preparada. O segundo, aos 22. O terceiro aos 26. Dos três levei baitas pés na bunda. E o quarto namorado foi meu ex-marido. Depois que me divorciei não tive mais nenhum namorado. Então na verdade verdadeira, nunca comemorei o dia dos namorados namorando, em 45 anos de vida.

E o que isso quer dizer? Quer dizer que eu já era muito doente e nunca consegui manter um relacionamento. Que eu sufocava meu ex-namorados, pois queria sempre mais, porque estava sempre muito carente, porque nada era o suficiente, porque meu amor era sempre o maior do mundo. Eu não sabia que isso fazia parte de uma doença de impulsos amorosos, bipolaridades, a necessidade de ser amada incondicionalmente.

Passados tantos anos, me pergunto se algum dia conseguirei ter um relacionamento amoroso saudável. Se comemorarei o dia dos namorados com um homem que realmente me ame pelo que eu sou, com ou sem doença. Que esteja do meu lado usando 42 ou 50. Que saiba que a qualquer momento minha depressão pode piorar, e que fique do meu lado me dando o carinho que eu preciso. E que saiba aproveitar minha melhora, para podermos estar bem juntos. 

Será que esse namorado existe? Será que é possível ter um relacionamento sofrendo de uma doença mental? 

Amanhã será um dia como qualquer outro na minha vida. Enquanto casais pelo país afora comemoram suas juras de amor, eu provavelmente estarei encolhida embaixo do cobertor, comendo Nutella e assistindo um capítulo do seriado Ray Donovan.

É a minha vida.