quarta-feira, 25 de maio de 2016

Vivendo na expectativa

Ando numa fase de expectativas. Por mais que eu não queira. Expectativa de conseguir um trabalho. Expectativa de emagrecer. Expectativa de conhecer amigos novos. Expectativa de conhecer um amor. 

Quem não tem expectativas? Dizem que fazem mal pra saúde. Mas como viver sem elas?

Vou confessar que não sei lidar bem com expectativas. Fico ansiosa. Às vezes tenho que tomar calmante. Choro. Fico perdida. Sou impulsiva demais, não dou tempo ao tempo.

Mas vamos recapitular: fiquei quase quatro meses em estado depressivo impulsivo suicida profundo, esperando os remédios fazerem efeito. Foi preciso muita paciência. Saber lidar com expectativas, ser menos impulsiva. Sofri feito uma condenada. A vida não tem prepara para essas coisas. 

Quando somos pequenos, nos dizem que vamos trabalhar, ganhar a vida, casar, ter filhos, ter netos, ficar velhos e morrer. Ninguém fala em doenças, em rompimentos, em erros, em expectativas, em impulsividades, em remédios sem fim. Ninguém nos prepara para a morte, seja ela quando acontecer. Todo mundo só quer te ver feliz e quer ser feliz e finge que está tudo bem, joga tudo debaixo do tapete e segue vivendo como se nada estivesse acontecendo.

E quem NÃO CONSEGUE fazer isso? Quem é superlativa, exagerada, louca varrida com a vida? Que chora quando leva pé na bunda ou perde o emprego? Que não aguenta esperar as coisas acontecerem e quer uma resposta imediata? Ninguém nos ensina isso. 

Também sou gente. Estou aqui lutando. A única diferença é que falo sobre minha vida. Conto tudo. Nos mínimos detalhes. Porque eu quero compartilhar. Porque é importante pra mim compartilhar. Por que ninguém ensina?


domingo, 22 de maio de 2016

E como fica o amor?

Imagina eu sentada num primeiro encontro com um cara que não conheço.

O que você faz da vida?

Ah, sou jornalista, mas estou meio desempregada, sabe, sou overqualified e ninguém quer me contratar, então as coisas estão meio mal lá em casa, pois estou com as contas atrasadas e tal. Mas nada de especial.

E como anda sua vida, você sai, onde vai para se divertir?

Olha, fiquei 4 meses enclausurada porque tenho vários problemas mentais e tive um surto, faz três anos que estou em crise, só faz um mês que comecei a melhorar.... mudei de médico 3 vezes, de remédio umas 50, mas vou melhorar, o problema é se eu tiver uma recaída, mas sou uma pessoa legal, tirando isso não saio há meses, nem sei o que tem rolado em São Paulo, uma pena, ninguém me chama pra sair, estou meio desenturmada, aliás, super desenturmada, sabe como é, mulher divorciada, ninguém convida e tals.

Ah, então faz tempo que você não namora.

Namorar? Hahahaha! Me divorciei há 6 anos e desde então ninguém quis saber de mim, sabe, como sou muito ansiosa, não dou tempo dos homens me convidarem, nem sei fazer aquele joguinho de sedução, aí estrago tudo, por isso tive vários casinhos, mas espantei todos porque não consigo me controlar e estrago tudo mesmo, tipo, se você não me ligar amanhã vou passar mal, ter que tomar ansiolítico, aí no fim do dia vou te chamar no whatsapp e falar um monte, e você não vai entender nada, aí nunca mais vai querer me ver na sua frente.

The end




sexta-feira, 6 de maio de 2016

Pequenas grandes vitórias

Melhorar é, em primeiro lugar, ficar meio perdida. Qual é meu limite? O que eu posso fazer sem me prejudicar? Melhorar é o primeiro desafio de tantos outros.

No meu caso, ouvi tanto do meu psiquiatra quanto da minha terapeuta que eu precisava andar, andar, andar. Como andar na rua é muito chato e é preciso pegar o carro para ir a um parque, resolvi me matricular em uma academia de bairro que eu já conheço e onde o sol bate de manhã - não aquelas academias que ficam tocando música bate-estaca e são escuras. Problema resolvido. A cada dois dias, vou lá e faço exercícios aeróbicos ao som do Programa Encontro com Fátima Bernardes (é brega, mas ajuda a passar o tempo).

Minha cabeça também voltou a funcionar melhor e nos últimos dias consegui trabalhar pelo menos 1 hora por dia, uma grande vitória devido as circunstâncias.

Em relação aos meus filhos, fato que me preocupava demais, passei o fim de semana com eles e fizemos tantas coisas que no domingo à noite eu estava acabada. E eles passaram tanto tempo comigo esta semana - e nossa TV quebrou e as noites foram mais agitadas - que esta noite eu dormi 12 horas seguidas de tão cansada que estava. 

Está aí o limite. Não posso sair agarrando o mundo. São pequenas grandes vitórias todos os dias... mas é preciso dosar para não extrapolar. 

Meu grande medo é o retrocesso, algo que também tenho conversado muito em terapia. Mas a terapia me assegura que agora estou embasada com médico, remédios e terapia, e um retrocesso nesse ponto de longa caminhada é mais remoto. Acho que eu não aguentaria passar por isso tudo de novo.

Existe luz no fim do túnel da depressão. O caminho é árduo, muito difícil, muitas pessoas se afastaram de mim nesse processo, mas outras novas chegaram na minha vida. E é preciso celebrar.