domingo, 3 de abril de 2016

Um pouquinho da minha história

Fui uma criança feliz. Sou filha única e sempre questionei o porquê disso, mas isso é outra história. Na escola, eu tinha uma turma muito unida, fazíamos tudo juntos. Além da escola, eu estudava ballet clássico e levava super a sério. Nas férias, eu ia pra um acampamento de férias e tinha outras amizades. E era feliz.

Tudo começou quando eu mudei de escola. A escolha não foi minha, foi da minha mãe. E lá fui eu, saída de uma escola super tradicional judaica para uma escola papo-cabeça frique-hippie. Não consegui fazer amigos lá, era todo mundo tão diferente! Eu continuava fazendo ballet e indo pro acampamento e isso me segurava. Mas já havia algo errado em mim. Uma tristeza que eu não conseguia explicar.

Quando terminei o colegial, fui fazer intercâmbio. Eu queria muito ficar numa casa tipicamente americana, daquelas que a gente vê nos filmes. Fui cair na casa de um casal hippie e vegetariano, que não tinha filhos. A casa era suja, eles não eram como nos filmes e eu não sabia lidar. Demorei dois meses para ficar fluente no idioma. Engordei muito, só comia, pois não tinha mais onde colocar minha tristeza. Acabado o intercâmbio, voltei para o Brasil, fui fazer cursinho, academia, emagreci, fiquei toda gostosa e a tristeza foi substituída pela alegria e endorfina do exercício. 

Entrei na faculdade e fiz alguns amigos. Também comecei a frequentar um grupo de jovens do clube. Com eles fiz várias viagens aventureiras pelo Brasil e também fui para Israel. Aliás, é uma viagem da qual me orgulho muito, pois mochilei dois meses sozinha pela Europa. Épocas felizes.

Aos 24 anos fui morar sozinha. É, aquela menina judia filha única lutou contra todos e foi realizar seu sonho de ser independente. Não foi fácil, naquela época não tinha telefone fixo, muito menos celular. Eu tinha um pager para me comunicar com meus pais e falava muito no orelhão. Enfim, depois de muito tempo, meu pai me deu de presente um "tijorola", um motorola enorme para podermos falar. Nessa época, eu já tinha tido meu primeiro namoro mais sério que durou 7 meses e eu não me conformei o porque terminou. Aos 26 anos conheci meu segundo namorado sério, que abusou da minha cabeça dizendo que eu era gorda (eu pesava 56kgs), que eu não vestia vestidos nem saia e assim não era feminina. Ele abusou verbalmente de mim e depois que o namoro acabou eu despenquei. Não conseguia mais dar conta da vida. E essa foi a primeira vez que fui a um psiquiatra e fui diagnosticada com depressão.

O médico me deu Prozac e eu fiquei feliz instantaneamente, Falava muito, amava todo mundo, emagreci muito, a vida era linda. Por seis meses. E o remédio parou de fazer efeito. E aí.... o resto é história. Começou um troca-troca de remédios que dura até hoje. Nesse meio tempo eu casei, cheguei a parar de tomar remédios por 3 anos, pois estava super feliz - e meu médico me deu alta. Mas eventualmente voltei a ficar deprimida e a depressão piorou e comecei a ter crises cada vez piores.

Em 2008, depois do nascimento do meu segundo filho, pesando 90 kgs, fui diagnosticada com três tumores no fígado. Como dois anos antes eu tinha tido um câncer de pele, todo mundo se desesperou. Lá fui eu pra mesa de cirurgia, com os peitos cheios de leite, e um bebê de quatro meses. A cirurgia durou 10 horas e me deu de presente uma cicatriz enorme na barriga, tirando a sensibilidade de 1/4 dela. Os tumores eram benignos. Um ano depois, vou a vez da minha coluna travar de um jeito, que ao fazer ressonância e ver as hérnias de disco, meu médico disse que era cirúrgico. E lá fui eu pra faca, mas antes disso passei um mês esperando o plano de saúde liberar os pinos de titânio que tenho nas costas. Pensa na dor, na depressão, no desespero. Passei um mês dopada, com uma filha de 5 anos e um filho de 1 ano. A culpa.... ah, a culpa.

Fiz a cirurgia e não melhorei. Foi preciso mudar meu ritmo de vida e parar de pegar peso para as coisas irem melhorando aos poucos. No ano seguinte, me divorciei. As coisas não deram certo por uma série de motivos e essa é outra história. Mas a depressão esteve sempre presente e teve épocas que os remédios não davam conta mesmo. Em janeiro de 2014, eu estava saindo de uma época de mania bipolar e comecei a ter problemas dentro de casa com a minha filha. A culpa materna foi maior e a depressão voltou com tudo... e até agora não passou. 

Esse é um resumo bem resumido, mas é o que aconteceu na minha vida até agora.