sábado, 9 de abril de 2016

Sábado de sol

Até oito anos atrás, eu não podia ver o sol brilhando num fim de semana, que saía correndo, colocava um biquíni e ia pro clube tomar sol. Amava o sol. Ele era meu astro rei.

Mas... há oito anos algo morreu dentro de mim. Nasceu meu filho mais novo.... eu tive tumores no fígado, depois passei por uma cirurgia de coluna que foi muito intensa em termos de dor, e depois veio o divórcio. 

Fiquei gorda e, se não fosse um episódio de mania da bipolaridade, teria sido assim até agora. Mas o ano de 2013 foi repleto de manias, de ficar sem comer, de me exercitar como louca e transar com o primeiro que aparecesse, afinal, eu estava magra e podia tudo.

Algo morreu dentro de mim. Não desejo mais sábados de sol. Eles me incomodam. Parece que existe uma obrigação de sairmos pra rua, de vivermos. E eu não consigo. Tenho dado preferência para os dias nublados. Se estiver chovendo, ainda melhor. Pois aí temos uma desculpa. 

Não vejo a hora de fazer frio. O calor tem me incomodado muito. O peso, meus pés doem, minhas roupas parecem de uma senhora de 60 anos.

Algo morreu dentro de mim. Não consigo mais viver como há oito anos.