sábado, 2 de abril de 2016

Os altos e baixos de ser bipolar

Quando alguns homens me diziam que eu era bipolar, pois depois de ter levado um pé na bunda eu os perseguia incansavelmente até ser finalmente bloqueada do Face, do whatsapp e de qualquer resquício de vida, eu dava risada e pensava comigo "imagina, EU NÃO SOU BIPOLAR, sou apenas uma mulher divorciada (ou antes de ser casada, apenas uma mulher) querendo um relacionamento sério". Achava um absurdo me dizerem isso.

Que eu tinha depressão eu já sabia há anos, mas que os meus impulsos, as transas com homens casados e o "rush" de não sermos pegos, que me sentir dançando como eu nunca tinha dançado, no topo do mundo, eram parte de um comportamento bipolar, disso eu não tinha a mínima ideia e até achava ruim quando ouvia.

Analisando minha vida, tinha épocas de mania sim, e muita depressão. Recentemente, em 2013, passei um ano inteiro em Mania, me achando a rainha da cocada preta, dançando, transando loucamente, fazendo dieta, eu era a melhor, a superior, podia gastar o que não tinha, transar sem camisinha, eu era infalível e inatingível e ai de quem não quisesse ficar comigo. Quase arruinei um casamento (mas o cara também teve culpa no cartório), e lá de cima, caí, despenquei, entrei na depressão mais profunda que alguém pode ter.

Não saía da cama, fiquei meses sem conseguir trabalhar... tive épocas de estabilidade, épocas de mais depressão, e agora estou em crise. Já saio da cama, já me visto - mas não me arrumo -, escovo os dentes, tomo banho. Estou gorda enorme, engordei provavelmente mais de 20kgs, não posso ouvir falar em homens nem em relacionamentos, pois sei bem onde isso pode levar. E estou aqui, sentada esperando minha vida ficar estável um dia.

Não lembro de mim estável. Lembro da Super Cléa e da Depressed Cléa, mas nunca de uma Cléa estável. Talvez na época em que conheci meu ex-marido até minha primeira filha nascer eu estive estável, tanto que meu médico me tirou da medicação. Mas logo depois voltei a ficar deprimida,

Life is not easy, principalmente quando a gente descobre que é bipolar.