sexta-feira, 1 de abril de 2016

Exposição

De repente, tem mais de cinco mil pessoas lendo o que eu posto na minha página do Minha Vida com Depressão no Facebook. Fora as milhares que leem e não curtem, assistem os vídeos que gravo com tanto carinho e, às vezes, indignação.

Meu psiquiatra e minha psicóloga querem me proteger de tanta exposição, mas o que eles não sabem é que preciso disso pra viver. Preciso escrever sobre o assunto, sobre a depressão, sobre como me sinto.

Mas é preciso saber separar o joio do trigo.

Ontem fiquei muito mexida, pois postei na minha página pessoal que fui  num mercado judaico e comprei bagels e hering acebolado para matar uma vontade de comer. E logo em seguida uma moça que nem conheço direito já veio me julgado, dizendo que se eu tenho dinheiro pra isso, não deveria então ter uma Vakinha e dizer que não tenho dinheiro para comprar remédio.

Uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Me senti nua, violada, triste, emputecida mesmo. Lógico que bloqueei essa pessoa da minha vida.

Não posso ter prazeres pequenos na vida? Preciso viver presa no castelo do meu apartamento porque estou sem grana? Virei uma grande exposição.

Na página do Minha Vida com Depressão ninguém me conhece direito, todos os dias são dezenas de beatas dizendo para eu receber Jesus na minha vida, e não importa o quanto eu diga que fui criada no judaísmo e sou ateia, elas não desistem, parecem que tem o cérebro lavado, que isso é tudo pra elas.

Ter a vida aberta à exposição - e olha que é uma exposição pequena por enquanto - não é fácil. Mas eu preciso fazer isso, vocês me entendem? Como se precisasse para respirar. Como se isso sim resultasse numa melhora do meu estado depressivo - não acredito em cura mais.