domingo, 27 de março de 2016

Brincando de químico

Na minha concepção, uma das tarefas do psiquiatra é brincar de químico. Ele tem à disposição centenas de remédios, antidepressivos, antipilepticos, anticonvulsivantes, antipsicóticos, e ele precisa fazer a combinação certa para aquela pessoa certa.

Posso dizer com experiência de causa que é muito difícil encontrar a combinação certa. E, quando encontramos, nada garante que ela fará efeito por muito tempo. Digo isso porque em vinte anos de doença tomei um número X de remédios, sozinhos, acompanhados, de todo jeito. E muitas vezes fiquei bem, e outras piorei.

No momento, meu psiquiatra está brincando de químico. Estou tomando 4 remédios. Um deles é novo, dá alergia na pele e a administração deve ser lenta. Estou tomando a menor dose terapêutica. E a tomarei ainda por alguns dias até aumentar. Essa demora gera ansiedade, que não é fácil administrar. Eu ainda tenho que administrar meus impulsos além da ansiedade. É tudo um grande quebra-cabeça e se faltar uma peça, quem sai perdendo sou eu.