quinta-feira, 31 de março de 2016

Ser mãe e ser filha

Quando estamos em crise de depressão e temos filhos, e somos filhos, acontece algo muito estranho. Não queremos ser pais, mas precisamos de nossos pais.

Tenho dois filhos lindos que eu amo de paixão, mas neste momento não estou conseguindo ser mãe deles. Porque minha cabeça já está muito cheia de coisas pra pensar, porque me incomoda, me julguem, não consigo ser mãe. E é muito complexo explicar. Mas falo deles com carinho, admiro e quero o melhor do mundo pra eles.

Agora sou filha também e neste momento preciso da minha mãe. Só que eu tenho uma mãe muito mais ansiosa que eu, que não tem paciência de esperar eu melhorar e que nem sabe direito o que fazer, como acredito eu, muitos pais com filhos que têm depressão.

Eu só gostaria que ela me abraçasse e ficasse quieta. Ou trouxesse uma torta de frango para comermos juntas. Ou ficasse perto sem grandes cobranças. Só queria que ela fosse minha mãe. Mas ela não é. Ela acha que fazer papel de mãe é me ligar 10 vezes por dia para perguntar como eu estou, quando ela já sabe a resposta. Ou vir "fazer visita" quando sabe que isso me incomoda. Mãe não faz visita. Mãe está sempre junto. Ela faz as coisas. FAZ. Ajuda no prático. Liga pro despachante pra ajudar com a documentação do carro. Liga do Itaú Seguros para ajudar no encanamento que não está funcionando. FAZ, mas não faz. Dá pra entender?

Não consigo ser mãe dos filhos que amo tanto e sei que isso vai passar... infelizmente sei que vai passar até a próxima crise de depressão - me chamem de negativista, mas minha vida tem sido assim nos últimos vinte anos... e não encontraram nenhum remédio milagroso que me estabilize por mais de alguns meses. Mas também não tenho uma mãe que consiga ser mãe. Sendo que ela tem seus problemas de saúde, mas não tem depressão.

São relações difíceis e complicadas. Mas gostaria muito que, neste momento, minha mãe fosse só... minha mãe.


quarta-feira, 30 de março de 2016

Um novo "normal"

Acordar a hora que for, tomar café, me trocar, escrever no blog, gravar vídeo pro You Tube, postar tudo. Trabalhar 1-2 horas. Almoçar. Assistir alguns seriados. Tomar banho. Jantar. Dormir.

Esse é o meu novo "normal".

Para meu tratamento ser mais positivo, meus filhos foram morar com o pai por alguns dias. Me dá uma sensação de deja vu, pois já vi esse filme. Ano passado, em outubro, eles passaram o mês inteiro na casa do pai. Por que? Por não ter que acordar cedo de manhã. Pelo silêncio da noite, que é tão benéfico. Pela falta de responsabilidade.

Se eles ficaram marcados por isso, só o tempo dirá.

Mas voltando ao novo "normal". Tento acrescentar de vez em quando uma volta com a minha cachorra, único exercício físico que consigo fazer. Nem sempre é possível. De noite, quando a coisa "pega", peço China in Box. A comida me alivia. O chocolate. A fritura. Minha pele está uma porcaria. Esse é meu novo normal.

Mas pelo menos já consigo sair da cama e funcionar um pouco.

Até quando ficarei assim? Até um dos remédios fazer efeito, diz o médico.

Já vi essa cena. Já passei por isso.

Até eu ter um novo "normal".

terça-feira, 29 de março de 2016

In therapy

Fazer terapia, no meu estado, é essencial para ajudar a que eu fique boa. Fiz terapia em diversos períodos da minha vida, nem sempre uma experiência boa. Mas estou fazendo há um mês e estou satisfeita. Ela é meio "mãezona". Quer me proteger. Não quer que eu me exponha.

Sou jornalista, eu digo, e existe liberdade de expressão no mundo. Me deixa escrever meu blog em paz, eu digo. Mas ela quer que eu rascunhe e não divulgue, Meu psiquiatra quer que eu rascunhe e não publique.

Sorry. I´m really sorry. Mas escrever é tudo o que eu tenho. É quem eu sou. Preciso como que respirar. Por que compartilhar? Pra ser ouvida. Para que saibam. E por que devem saber da minha vida? Aí o problema é mais fundo: porque sou só. E preciso ser ouvida. Porque eu sou solitária e sinto que ninguém me escuta. Porque eu acho que assim estou contribuindo de alguma coisa para a humanidade.

Me deixem escrever! Me deixem publicar! Me deixem ser! Não tirem isso de mim....



segunda-feira, 28 de março de 2016

Tenho que trabalhar e não consigo

Aflição, muita aflição.

Sou jornalista e tradutora.

Tenho dois documentos enormes de tradução para entregar.... já passou quinze dias do prazo. E não consigo me concentrar. Sabe aqueles Power Points com letras bem pequenininhas? Então, tipo assim.

Como faz quando nossa cabeça não está clara o suficiente para trabalharmos? Escrever pro blog é diferente. Eu estou me expressando, escrevendo o que está no coração.

Trabalhar traduzindo power points com letras pequenininhas é diferente.

Hoje acordei sem concentração. Ontem também. Anteontem também. Estou aqui sentada. Em uma hora traduzi um slide. Se for assim vou levar 159 horas para traduzir tudo. E o que eu digo para o cliente?

Por isso abri a Vakinha, que tem gente que acha irritante.

Por isso que peço doações para a minha conta.

Pois, e se não tiver mais cliente depois de eu ter atrasado o trabalho em mais de um mês, como ficam as contas para pagar?

Não é proposital.

Como faz?

domingo, 27 de março de 2016

30 de agosto de 2014

Foi em 30 de agosto de 2014 que comecei este blog. Sem pretensões, como eu dizia naquela época, ainda magra, mas passando por uma depressão enorme. Depois o blog ficou esquecido e eu voltei em 2015 com alguns posts, ainda piores.... nessa época eu trabalhava em uma agência, meu médico já não me dava mais bola e eu estava péssima. Tão ruim que fiz a bobagem pela primeira vez na minha vida de parar de tomar toda medicação.

Obviamente que não foi uma escolha acertada, pois a depressão piorou, os pensamentos suicidas vieram e eu tive uma das piores crises da minha vida. Tive que ficar dois meses sem trabalhar. Não conseguia pensar, cuidar dos meus filhos, fazer nada, muito muito muito pior do que estou hoje. Minha sorte na época foi pensar que meu chefe era gente boa. Ele me deu dois meses pagos para eu me cuidar (e quando eu voltei ele me mandou embora, gente finíssima).

Mas eu estava mals, e levei mais de dois meses para voltar a funcionar novamente, e agora sem emprego. Por sorte eu tinha um cliente por conta própria que pagava o básico das minhas contas, então não foi tão desesperador como está sendo agora.

Mas pensar que já estamos em abril de 2016 e nada mudou. Continuo doente, sem conseguir trabalhar. Continuo tendo melhoras tênues, daquelas que pluft, piscou, passou. Continuo como se o tempo tivesse congelado há dois anos e nada tivesse acontecido. Mal vivi nesses dois anos. Continuo igual. Continuo, continuo, continuo....

As pessoas lá fora vivem, se frequentam, veem os amigos, saem trabalham, namoram, vivem! E eu aqui continuo doente.

Fazer o que?


MigLon

Essa semana eu recebi várias roupas novas da nova coleção da MigLon. Uma peça mais bonita que a outra.

Vale a pena visitar a loja!


Brincando de químico

Na minha concepção, uma das tarefas do psiquiatra é brincar de químico. Ele tem à disposição centenas de remédios, antidepressivos, antipilepticos, anticonvulsivantes, antipsicóticos, e ele precisa fazer a combinação certa para aquela pessoa certa.

Posso dizer com experiência de causa que é muito difícil encontrar a combinação certa. E, quando encontramos, nada garante que ela fará efeito por muito tempo. Digo isso porque em vinte anos de doença tomei um número X de remédios, sozinhos, acompanhados, de todo jeito. E muitas vezes fiquei bem, e outras piorei.

No momento, meu psiquiatra está brincando de químico. Estou tomando 4 remédios. Um deles é novo, dá alergia na pele e a administração deve ser lenta. Estou tomando a menor dose terapêutica. E a tomarei ainda por alguns dias até aumentar. Essa demora gera ansiedade, que não é fácil administrar. Eu ainda tenho que administrar meus impulsos além da ansiedade. É tudo um grande quebra-cabeça e se faltar uma peça, quem sai perdendo sou eu.


sábado, 26 de março de 2016

Ten Yad


Conduta auto-lesiva (ou "skin picking")

Eu me estrago.O couro cabeludo e o rosto. Estão parecendo uma zona de guerra. Quando estou ansiosa faço verdadeiras revoluções. Antes o picking aparecia apenas quando eu estava no trânsito, ficava muito tempo parada em congestionamentos.

De um tempo pra cá, cerca de dois meses, veio junto com a maré da depressão, e como estou comendo muita junk food, minha pele está oleosa, o que é ideal para ele se desenvolver.

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Mas o que é isso?

Picking, como é conhecido, significa a mania de se cutucar, de procurar casquinhas na pele e cutucar até formar ferida, se arranhar até machucar.

O picking significa uma repetição crônica de:
- Tocar
- Coçar
- Cutucar
- Arranhar
- Furar
- Escoriar

determinadas regiões da pele, de modo tão intensivo e repetitivo que acaba provocando feridas, cicatrizes e descolorações da pele. O paciente pode passar horas examinando a pele, procurando pequenas imperfeições, bolinhas, espinhas, cravos, pedacinhos de pele, pelos, e arrancando, coçando, cutucando, furando.

Muitos casos de picking não têm outros problemas psiquiátricos (embora ele quase sempre piore em situações de ansiedade), mas muitas vezes ele faz parte de:

- Transtorno Dismórfico Corporal ou Dismorfia Corporal ou Transtorno Somatoforme Corporal;
- Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC ou DOC);
- Abstinência de drogas opióides
- Autismo
- Transtorno de Personalidade Borderline
- Tricotilomania (mania de arrancar os cabelos)

Desenvolvimento do picking >> geralmente começa com uma ferida na pele, que a pessoa cola, acaba não deixando cicatrizar. Com o tempo, começa a ter uma sensação localizada de coceira ou de necessidade de se cutucar. Aos poucos começa a sentir que em determinadas situações mais ansiosas ou estressadas da vida essas coceiras ou escoriações passam a ser uma válvula de escape para as tensões. O picking costuma se manifestar quando a pessoa está ansiosa, quando está se sentindo com monotonia e para muitas pessoas traz uma sensação de prazer.
Os portadores de picking podem usar roupas fechadas e mangas compridas mesmo em dias de calor.

Tratamento do Picking (quando o picking é sintoma de outra doença, esta doença deve ser tratada) >> medicação ajuda muito. Em geral se usa neutolépticos e/ou antidepressivos. 
Terapia cognitivo-comportamental (TCC) que é me diferente da psicanálise.
O uso de luvas finas (tipo luvas de golfe) ou de esparadrapo (micropore) nas pontas dos dedos também ajuda (porque a ponta dos dedos fica coberta) e a pessoa se descondiciona desse comportamento. É o mesmo que ocorre no tratamento do Transtorno Obsessivo  Compulsivo.

O paciente precisa estar muito motivado para se tratar.

Fonte: site Psiquiatria.med.br



Os novos profetas (ou "haja saco"!)

Vou insistir nesse tema, pois depressão não é brincadeira e não se cura com Luz. Nem com reza. Nem com voluntariado. Nem com chá milagroso. Nem com a palavra de Jesus. Depressão é coisa muito séria.

Você já ouviu alguém falar para quem tem câncer: "olha, tem um grupo muito bacana onde faço voluntariado, e depois que eu descobri a Kaballah, eu parei com a quimioterapia, e fiquei curada! Vem comigo, você vai ver como te faz bem!"

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, com previsões feitas no século 20, a depressão chegaria em 2030 atingindo 7% da população - ou 400 milhões de pessoas. Mas, ela se adiantou e bateu esse número em 2010, vinte anos antes.

73% dos diagnosticados dizem que há muito preconceito em relação à doença.
60% têm medo de ter recaída.
67% se esforçam para os outros não perceberem quando não estão bem.
45% trocam de médico desde que iniciaram o tratamento
47% já fez ou tem acompanhamento terapêutico
57% tem outro parente na família com depressão
23% levou de 1 a 3 meses para ter alguma melhora

Essa pesquisa foi feita pelo Datafolha em 2014, mas continua muito atual.

O dado que mais de 70% vêem o preconceito em relação à doença é alarmante, E é por isso que estou aqui, escancarando minha vida, me expondo. Porque as pessoas precisam enxergar que não adianta cura milagrosa. Que é necessário acompanhamento médico. Um bom diagnóstico, um bom médico e acertar no remédio. Terapia, amigos e familiares ajudam.

Não adianta ir ao Santo Daime. Nem fazer macramê - se bem que trabalhos manuais ajudam, mas não curam. Não adianta viver de Luz, nem ir na igreja todos os dias.

Não acho ruim ter fé e não estou aqui falando mal de religiões. Eu particularmente sou uma judia ateia, se é que isso pode existir. Eu gosto das tradições judaicas, mas não acredito mais em deus há muito tempo. "que horror", você pode pensar. Mas essa é a MINHA ESCOLHA.

Você pode ser agnóstico, católico ortodoxo, espírita. Mas saiba que existem mais de 300 tipos de depressão e elas não se curam com reza. Elas se curam com cuidados médicos.

Para vocês terem uma ideia da diferença de uma depressão leve e uma depressão pesada.... em setembro de 2012 eu estava com a minha depressão controlada, estável, mas triste, Estava gorda e com a autoestima baixa. E depois de vinte anos resolvi voltar a dançar. A depressão era leve naquele momento, e a dança fez maravilhas. Eu tive força de vontade, emagreci 16 quilos, estava dançando 2, 3 horas por dias e estava no topo do mundo - mas depois fui descobrir que isso tem muito a ver com meu lado bipolar.

Pulamos para janeiro de 2016. Eu acabei de mudar de médico e os remédios começaram a fazer efeito. Depois de dois anos parada, eu resolvi voltar a dançar. Durou 1 mês. Eu não aguentei. Eu não saio de casa e dar uma volta no quarteirão é um suplício. O que mudou? Mudou a gravidade da doença. Antes eu estava com um câncer de pele que bastava uma pequena cirurgia e pronto, estava curada. Agora, esse câncer se espalhou por um linfonodo e eu preciso de um tratamento mais agressivo. 

Estou usando o câncer como exemplo da gravidade da coisa. Pois depressão e câncer, diante dos meus olhos, são doenças parecidas. A única coisa é que quem tem câncer tem apoio, tem amigos e não tem vergonha de falar sobre sua doença nem é discriminado.

Então, não escutem os novos profetas. Eles não sabem o que VOCÊ está passando.






sexta-feira, 25 de março de 2016

Médicos sem fronteiras

Você conhece o trabalho do Médicos sem Fronteiras. Eles são uma organização sem fins lucrativos que auxiliam pessoas em necessidade em todo o mundo. Eu já sou uma doadora do Médico Sem Fronteiras. Você pode contribuir com um valor todo mês no cartão de crédito. Vai lá. Ajude, faça uma boa ação!



Compulsão alimentar (ou "minha vida por um Big Mac")

Este é o post que todos esperavam. Vamos falar sobre compulsão alimentar!

Lembrando que não sou médica, sou a doente, que sofre de compulsão alimentar. Quer dizer, além da depressão, do transtorno bipolar e da impulsividade, ganhei de brinde a compulsão. Uma verdadeira oferta dos céus.

Agora falando sério. Não tem NADA DEMAIS ter compulsão alimentar. Eu sou ex-bailarina clássica e estou com mais de 90 kgs. Vocês devem imaginar como estou feliz com isso (só que não). Para quem dançou grande parte da vida e foi magra até os 37, 38 anos, estar pesando mais de 90kgs é o fim do mundo MESMO!

Mas, a culpa é minha? NÃO! Os remédios que eu tomo aumentam o apetite. A depressão me deixa letárgica. Eu estou tendo até pane de sair de casa. Meus pés estão inchados e eu estou usando apenas havaianas, pois meus sapatos ficam apertados. Estou feliz com isso? NÃO! Mas é o que temos para hoje.

Tenho uma colega de profissão que começou um blog que foi parar na Vejinha (olha só que chique), que se chama "Cansei de ser gorda". Sempre achei o título ofensivo, mas quem sou eu, né? Ela emagreceu 18 quilos e tá bonitona e começou esse blog e foi convidada pela Vejinha. Lá ela conta histórias de sucesso (haja sacoooooo) de pessoas que se esforçaram, esforçaram, esforçaram e emagreceram (iupi!!!). Ok. Tem seu valor e não estou desmerecendo. Sò que tem gente que NÃO CONSEGUE, PORRA!!!!

E eu estou aqui pra dizer que é OK ESTAR GORDA, ESTAR GORDO, ESTAR DO JEITO QUE VOCÊ ESTÁ. Se você tem compulsão alimentar e como eu a única coisa que satisfaz é um pratão de yakissoba do China in Box (minha mais recente tentação), vai em frente!

Nossa cabeça precisa estar bem primeiro antes de tentarmos emagrecer e ficar legal naquela calça 42 (nem me vem com calça 38 que fico de mal). A cabeça tem que estar boa. Este é nosso foco principal.

No meu caso, tenho tido laricas de tudo que é frito e engorda - minha pele está aqueeeeela maravilha. Não posso ver nem salada na minha frente. Frutas eu ainda como.... mas de resto, só junk food, macarrão, arroz com feijão de vez em quando. Mas tudo bem, porque minha cabeça está pra lá de Bagdá e não dá pra pensar em dieta agora. Quando der, aí sim eu vou atrás de um médico pra me ajudar. Em épocas de cirurgias bariátricas, dietas funcionais e muito bla bla bla, é preciso de força de vontade para emagrecer. E ESSA FORÇA SÓ VEM QUANDO ESTAMOS BEM. NÃO ADIANTA ESTAR DEPRIMIDA E QUERER USAR 38!!!!!

Fiquem bem. Comam aquela coxinha, aquele risole. Sejam felizes pelo menos pelo estômago!

*Fotos de mim em dezembro de 2013, começo de 2014 e no fim de 2015, com 24 quilos a mais....





quinta-feira, 24 de março de 2016

O silêncio

Shhh....

O silêncio me faz tão bem. Junto com a escuridão então, formam um par perfeito. É no silêncio com uma certa penumbra que eu me sinto bem. Nesse ambiente, não tem barulho, nem conta pra pagar, nem criança correndo, nem som tocando, nem gente falando.... é como se o tempo tivesse parado por um instante.

Eu gosto do silêncio. Ele faz bem pra minha alma ultimamente. Não tenho lidado bem com barulhos, gente, buzina, trânsito, carros. Ele, o silêncio, tem sido meu grande companheiro. E a ele eu agradeço.

Shhhh......



É dando que se recebe

Quem já não ouvir a expressão "é dando que se recebe"?

Eu tenho sentido isso na pele.

Já doei muito na minha vida. Roupas, objetos, dinheiro, quando me foi possível. Ultimamente estou fazendo parte de alguns grupos no Facebook para doação de remédios (tudo certinho, com receita) e já ajudei três pessoas.

E venho colhendo os resultados dessa vibração positiva: é recebendo uma compra de supermercado anônima, ou um amigo ajudando com a compra dos meus remédios, ou até mesmo uma amiga que trabalha numa loja de artigos plus size trazendo roupas para eu experimentar.

É a corrente do bem, que é mais forte do que nunca!

Entre ontem e hoje pedi para várias pessoas compartilharem minha Vakinha (aqui: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/minha-vida-com-depressao) em suas timelines. O retorno só não foi 100% positivo, pois muita gente ainda se ressente com isso. Diz não quando não custa nada. Mas deixa isso pra lá.

O importante foi ler as coisas lindas que escreveram pra mim. Como a jornalista Anna França, ex-Gazeta Mercantil, que escreveu:


Falar sobre a depressão já é difícil, expor a sua dor pode ser ainda pior. Mas a jornalista Cléa Stolear se encheu de coragem e resolveu usar seu talento na escrita para colocar para fora tudo aquilo que lhe atormenta. 

Vale a pena ler seu blog "Minha vida com depressão "http://minhavidacomdepressao.blogspot.com.br/.


Ou ainda a amiga Luciana Klar, que escreveu: "oi Pessoal. depressão é coisa séria, perigosa até. E pode acontecer a qualquer um. Poucos são os que tem a coragem de se expor e a exposição é ao mesmo tempo uma forma de alerta para a doença e uma forma de pedir auxílio. Infelizmente não são todos que conseguem conviver com a doença e já conheci quem abrisse mão da vida. Infelizmente há preconceito e aqueles que ridicularizam quem sofre deste mal.

Nâo podemos nos omitir". 


E a amiga Tatiane Lima que ajudou a divulgar o blog, com o texto "350 milhões de pessoas vivem com depressão no mundo. É uma doença muito difícil e limitante. A Cléa Stolear criou uma página para explicar como é. Quem quiser conhecer, compreender e ajudar é só acompanhar.

Me sinto honrada pelas amizades e pelos compartilhamentos e gostaria de deixar aqui o meu OBRIGADA!!!


quarta-feira, 23 de março de 2016

A noite: o pior horário do dia

Por volta das 18 horas, minha vida entra num transe. É hora da janta das crianças, laptops ligados, tablets... música, crianças querendo atenção.

E é nesse horário que eu quero dar uma de avestruz e enfiar minha cabeça num buraco e só acordar no dia seguinte. Toda essa movimentação, essa demanda por atenção, me incomoda. Tudo isso é demais pra mim. Durante o dia eu levo numa boa, mas... à noite... a coisa pega.

Agora vim pro meu quarto literalmente pra me esconder. Tentei assistir TV e fazer companhia pro meu filho de 8 anos. Mas chegou uma hora que não consegui mais. E vim aqui pra minha cama, no meu canto, onde está silencioso e pretendo ficar aqui até a hora de dormir. 

Será que essas sensações irão embora? Será que eu aguentarei a normalidade novamente? Não sei dizer ao certo, pois tudo está embaçado no momento. Me sinto culpada, muito culpada.

Não sei o que fazer.





Trabalhando (nem que seja 1 hora por dia)

A rotina das pessoas é assim: elas acordam, tomam café, levam filhos pra escola, ou vão pra academia, e depois vão para o trabalho, onde ficam cerca de 9 a 10 horas por dia, dependendo da sua profissão - algumas mais, outras menos. Esse é o padrão de quem é assalariado, ou dono de uma empresa. E depois voltam pra casa, brincam com os filhos, ou se não os têm, saem com amigos, ou deixam pra ir na academia depois do trabalho.

Trabalho.

Como a gente trabalha quando está com depressão e a mente não funciona?

Este post é para ser positivo. Eu tenho uma "janela". Um período de dia em que sou produtiva. Em que escrevo esses posts e no qual consigo trabalhar. Não é muita coisa, já chegou a durar umas 3 horas, mas não passa disso. E nesse tempo eu sou produtiva. Muito diferente da maioria das pessoas, né?

Mas eu consigo produzir essas poucas horinhas. Como estou fazendo um projeto de tradução, essas horinhas são poucas e algo que eu levava um dia para fazer tenho levado mais de uma semana. 

Mas não importa, pois eu consigo me concentrar por algumas horinhas, e isso já é o mundo pra mim. 

Infelizmente, depois desse período, minha mente cansa, tudo para e a vida fica bem mais devagar. Tem dias da semana que vou para a terapia. Nos outros eu simplesmente deito e olho para o nada... agora com a tentativa de tomar um remédio para "baixar minha bola" nesse horário em que fico muito angustiada, durmo um pouco. Mas não consigo mais trabalhar.

De qualquer jeito, o fato de conseguir trabalhar, nem que seja uma horinha por dia, já me deixa mais feliz,


terça-feira, 22 de março de 2016

E eu fiquei loira, literalmente

Depressão é um assunto pesado. 

Mas, e as pequenas conquistas do dia a dia?

Na semana passada minha terapeuta pediu que eu me fizesse um agrado. "Passar um creme, um perfume", ela disse. Mas não estou conseguindo.

E depois de uma crise de impulso onde eu passei duas semanas tomando dez banhos por dia, meu cabelo estava estragado. Estava deitada na cama antes do almoço e pensei "vou ficar loira"!!!

Liguei pro salão e eles tinham horário para a parte da tarde. Fui me arrastando, mas consegui chegar. E foi um tal de faz luzes, fica com o creme no cabelo horas, depois faz progressiva pro cabelo não ficar parecendo uma vassoura, e tchana nam, fiquei loira.

Sou ruiva de nascença e meu cabelo já escureceu, clareou com o sol, mas eu nunca havia mudado a cor. Ano passado tentei uma californiana, quando pintamos apenas a parte de baixo, mas deixar assim totalmente loiro foi uma revolução.

E voltei de arrastando para casa, dessa vez, loira. Alguns disseram "poderosa". Eu senti que me fiz um carinho. Não consigo ainda passar aquele creme, nem fazer a unha, tem colocar brincos. Estou largada, visto todo dia a mesma roupa, praticamente. Mas o Mark do Facebook também veste....

Se cuidar quando estamos assim doentes é muito difícil. Tem dias que não dá vontade de tomar banho, nem escovar os dentes... quantos dias passei assim. Então pintar o cabelo foi uma grande vitória. Baby steps, baby!



segunda-feira, 21 de março de 2016

É caso de internação?

Acabo de voltar de uma consulta meio emergencial com meu psiquiatra.

Dentre vários assuntos discutidos, um deles foi a internação em uma clínica ou um hospital psiquiátrico. Muitos podem se assustar com esse fato, mas eu não. Acho que em casos voluntários, como é o meu caso, essa saída do ambiente que não está ajudando na minha melhora pode ser benéfica. Falamos muito sobre o assunto. Seria uma internação para que eu pudesse dar tempo ao tempo e um dos remédios que estou tomando começar a fazer efeito. Mas também seria um momento desconectada, sem Internet, nem celular, nem telefonemas, nem ver a família. O tempo? Quanto fosse necessário.... uma semana, dez dias.

A outra opção discutida foi entrar com uma medicação no meio do dia que me relaxe e me deixe menos ansiosa, já que o famoso Rivotril virou água pra mim. Decidi pela segunda opção por hora, um teste, vamos ver se dá certo. Se não der e a ansiedade e a angústia continuarem predominando, não vejo problema algum em ser internada. Em sair do ambiente, em enfocar no que mais interessa nesse momento: fazer com que eu tenha uma melhora significativa para conseguir tocar o mínimo da minha vida.

Acho que precisamos tirar esse estigma da sociedade de clínica psiquiátrica é um lugar ruim. Pode ser para quem foi colocado lá à força. Para quem está num estágio de doença 200x pior que o meu. Para quem tentou o suicídio, não deu certo e foi confinado. Para quem está demente. Para um milhão de pessoas que não são eu.

Se formos analisar o meu dia a dia, eu já faço bastante: saio da cama pela manhã, levo meu filho na escola (minha filha já vai sozinha), trabalho algumas horinhas. Assisto seriados. Vou ao supermercado para compras rápidas. Tento ficar com meus filhos à noite. Assisto mais alguns seriados, tento ver a GloboNews e o Jornal da Band. Só tento tricotar quando não está muito calor e eu estou muito a fim. E vou dormir. Isso num dia bom. Pois tem dias que depois do almoço, meu cérebro pira, a angústia toma conta, a culpa da vida é maior que o mundo e eu quero sumir do mapa, como já expliquei aqui em outro post. E eu choro como se o mundo fosse acabar, e penso sim em me matar, sumir, deixar essa vida.

Mas você não consegue ler um livro? 
NÃO

Mas você não consegue ir dar uma volta na rua?
NÃO

Mas você.... NÃO ADIANTA PERGUNTAR, NÃO!

Já faço o suficiente do que consigo. 
Como muita porcaria e agora não é hora de mudar isso.
Já faço o suficiente.

E se eu tiver que me internar numa clínica psiquiátrica para o meu bem, farei isso sem problema algum.

Lembrando que eu abri uma vakinha para me ajudarem. Vai lá e contribui a eu pagar meu tratamento, meus remédios e ajudar a prover pras crianças: 



Impulsividade é doença

Eu nunca soube que minha impulsividade era doença até me dizerem. Sabia que era excessiva, que destruía amizades, trabalhos, relacionamentos, mas não sabia que era doença. Mas é. Do mesmo jeito que quando alguém tem um transtorno como TOC, de lavar a mão 200 vezes no mesmo dia é doença, postar demais, falar demais, se expor demais também é.

Ontem eu tive uma crise de impulsividade. Passei o dia no Facebook, no meu blog, no You Tube, me expondo pedindo dinheiro pra minha Vakinha, falando sobre depressão, enfim, doente. Tanto que no fim da noite, já exausta, liguei pro meu médico e contei. E se isso está acontecendo é porque os remédios não estão funcionando MESMO, pois eles pelo menos deviam lidar com essa impulsividade.

Estou muito triste que o tratamento não está dando certo. Uma tristeza sem fim, inconsolável. Ontem chamei várias conhecidas no whatsapp para dizer que eu estava mal. O que elas iam me dizer? Nada, certo. Quem quer receber o chamado de uma pessoa que não está bem?

Enfim, fica aqui o recado, se você for impulsivo demais, talvez isso seja doença.

E pra quem quer me ajudar com a minha Vakinha para auxiliar no meu tratamento, clique aqui https://www.vakinha.com.br/vaquinha/minha-vida-com-depressao e contribua com qualquer quantia, Já vai me ajudar muito.

Obrigada


domingo, 20 de março de 2016

Quando a gente perde a vergonha

Não tenho vergonha em dizer que preciso de ajuda. A gente não tem que pedir ajuda quando está precisando? Então? Por que as pessoas são tão cheias de pudores? Por que têm medo de pedir ajuda quando estão precisando? Qualquer ajuda. Ajuda emocional. Ajuda financeira. Ajuda afetiva.

Eu estou precisando de ajuda sim. Já consegui um bom médico. Através da mãe de uma amiga da minha filha, descobri um projeto comandado por um rabino que oferece terapia a um preço mais baixo do que se eu fosse num consultório. Já fui ao INSS me humilhar na frente do médico perito, mesmo sabendo que eu contribuo mês a mês para esta merda desse governo, para depois ser julgada por um médico perito que não sabe o que está fazendo. Já pedi ajuda para meus amigos de infância e alguma família mais próxima que ajudou sim, e me ajudou a passar março, e bancar meu médico e meus remédios e meu supermercado e várias contas atrasadas.

Agora estou pedindo ajuda para desconhecidos. Qual é a vergonha nisso??? Matei alguém? Deixei de entregar os trabalhos que me passaram? Posso ter atrasado nos prazos, pois não estou conseguindo funcionar direito, mas entreguei. Ainda tenho alguns trabalhos para entregar sim, mas como sou autônoma não sei o dia de amanhã.

Sei que tá todo mundo vivendo pendurado, uns melhores, outros piores, tem gente na merda, mas não fala, não pede ajuda, então como ficamos sabendo para ajudar?

Faço parte de alguns grupos no Facebook de doação de remédios e já doei mais de R$ 500 em remédios fechados que eu não tomo mais, pois não deram certo. A gente ajuda como pode. 

Então não tenho vergonha de pedir ajuda e abri SIM uma Vakinha para arrecadar dinheiro, porque eu não sei o dia de amanhã. Não tenho vergonha de pedir que você entre lá e contribua. Tenho visto as pessoas acessando a página e não contribuído. Mas por que? Tô pedindo demais, de menos, torto, certo?

Não tem certo quando estamos querendo proteger nossos entes queridos. Quando estamos querendo nos proteger.

Então se você tem R$ 10,00, R$ 5,00, um cafezinho que vai deixar de tomar amanhã depois do almoço, acessa https://www.vakinha.com.br/vaquinha/minha-vida-com-depressao e contribui. 

Eu te agradeço e quando puder, te pago em dobro.

Pronto. Sem vergonha alguma.

E mais um outono chegou

Já são 2 anos e 3 meses. Sem melhora de mais de 3 semanas. E agora chega mais um outono. E o que eu penso é que o tempo está passando, as pessoas estão vivendo suas vidas, trabalhando, saindo pra tomar um chopp, indo à praia, viajando pra Disney.... e eu estou aqui. Sempre me tratando, mudando de remédios, que não fazem efeito, e aí tentamos outro remédio, que também não faz efeito... e assim já se passaram 3 verões, 3 outonos, 2 invernos e 2 primaveras e nada mudou.

Minhas crises de depressão no ano passado foram tão severas que tentei me matar duas vezes. Minha cabeça ia explodir, eu não aguentava mais.

A diferença dessa crise para as outras é que estou mais quieta, mais introspectiva. Tenho dias de desespero sim, mas algo mudou. Como se eu tivesse ficado inerte à doença, ela está aqui e não há NADA que eu possa fazer senão esperar. Estou cansada de esperar. Até quando terei que esperar.

Mais um outono chegou.



sábado, 19 de março de 2016

E o choro vira desespero

Quantas vezes chorei desde que estou nesta crise de depressão que dura mais de dois anos? Não sei contabilizar. Várias vezes ao dia. Muitas vezes por bobeiras, e outras por coisas que aconteceram durante o dia e eu não soube lidar.

Ontem, a orientadora da minha filha me ligou dizendo que ela anda atrapalhada com os estudos, não sabendo se organizar direito. Avisou que a escola tem um serviço de tutoria e ela recomendava que minha filha frequentasse esse serviço, que a ajudaria a se organizar. Como eu poderia imaginar? Sempre pergunto das lições, mas por conta da depressão, não consigo sentar e ajudar, não sou uma mãe presente nesse sentido. Expliquei para a orientadora que estou doente e concordamos que a minha filha irá frequentar a tutoria 1x por semana. Me senti a pior mãe do mundo,

Mais tarde neste mesmo dia, o ralo do chuveiro da minha filha entupiu e inundou o banheiro dela. Ela veio tomar banho no meu banheiro e aconteceu a mesma coisa. Já havia passado das 17 horas e eu não sabia o que fazer. Liguei pra minha mãe, que pediu que eu ligasse pro seguro residencial, mas eu já não tinha forças. E comecei a chorar. E o choro me remeteu a épocas felizes da minha vida e quanto mais eu lembrava das viagens que fiz, e do começo do namoro com  meu ex marido, e do nascimento dos meus filhos, mais eu chorava. 

E foi anoitecendo e percebi que eu não conseguiria ser mãe naquele momento. Aliás, tem várias noites que não consigo ser mãe. Não coloco ninguém pra dormir, não faço carinho, não converso e sinto que os deixo largados na vida. Ontem não aguentei, mandei uma mensagem para a minha terapeuta, Ela demorou para responder. Pedi então que minha filha ligasse pra minha mãe e a chamasse. Eu não ia conseguir fazer nada sozinha.

A terapeuta ligou, mas tudo o que ela dizia parecia tirado de um livro de autoajuda. Nisso minha mãe chegou e eu desabei. Chorei o choro do desespero. Da mãe que não sabe o que fazer. Que acha que não está sendo mãe de verdade. Chorei chorei chorei. Minha mãe conversou com as crianças. Decidiu que dormiria em casa essa noite e que eles passariam o fim de semana com ela. Nisso eu já havia tomado meus remédios e o sono era eminente. Fui dormir desesperada.

Acordei me sentindo de ressaca. É muita coisa para uma pessoa só. Os remédios não fazem efeito, e eu vou me afundando, Um dia consigo dar uma volta com minha cachorra na rua, arrumar o cabelo, no outro entro num rodopio de choros que vira desespero, que vira pânico e eu me sinto sem esperanças.

Não sei o que fazer.




sexta-feira, 18 de março de 2016

Quando a doença te deixa adormecida em todos os sentidos

O que o Brasil está vivendo, além de ser um absurdo, é um momento histórico de enorme grandeza. Já vi piadas de que os alunos futuros terão uma dificuldade incrível durante as aulas de história, pois entender tudo o que acontece é uma loucura.

Mas, vocês acham que eu estou me importando com o que acontece com o Brasil, com a Síria, com Israel ou o Iraque? Com a sede dos nordestinos? Com as chuvas que destroem cidades?

A dura realidade é que não. A depressão te deixa num estado de adormecimento da realidade que nada importa. É o tal do "numbness", quando a vida passa por você, mas nada do que acontece da sua janela pra fora importa. 

Me sinto triste por isso, sou jornalista, muito crítica e gostaria de participar mais. Mas não consigo nem pensar no que vai ser minha vida daqui meia hora. Minha maior preocupação no momento são com os cinco documentos gigantes da área de radiologia odontológica que preciso traduzir, e não consigo traduzir cinco linhas em uma hora. Minha cabeça não funciona e eu demoro.... e meu grande medo é que os trabalhos de tradução parem de vir e minha renda caia ainda mais. Essa é minha preocupação.

Pode ser egoismo meu, mas não é, pensar no mundo agora é coisa demais pra quem não consegue nem ir fazer supermercado. Tenho contado com a ajuda da moça que trabalha aqui em casa para nos abastecer, fazer supermercado, ir no sacolão, até consertar o tablet do meu filho que comprou. Santa Magna, que tem me ajudado e vem me ajudando há quase oito anos entre idas e vindas.

Não consigo me preocupar que meu filho tem lição de casa e que minha filha tem uma festa, comprar presente pro aniversariante então, nem pensar....

Então não dá pra pensar em política, em Dilma e Lula, no futuro do país quando estamos doentes. A doença consome, ela encoberta seus pensamentos, seu julgamento, deixa sua vida adormecida. 

Uma pena.


quinta-feira, 17 de março de 2016

Ser divorciada e bipolar

Logicamente meu casamento não deu certo, como nenhum relacionamento romântico na minha vida até hoje. Muitos podem dizer, "ah, mas você ficou casada dez anos, então por esses dez anos deu certo". Pode até ter um fundo de verdade, na época do namoro... teve até um período que me dei alta e parei os remédios e fiquei bem por uns dois anos. Mas depois....

O dia a dia, a primeira gravidez, a falta de grana, a omissão, a falta de cuidado, tudo isso ficou num ponto de ebulição tão forte que a depressão voltou com tudo e ninguém - muito menos meu marido na época - entendia porque eu ficava longos períodos trancafiada no quarto. Eu estava mal, muito mal. Os remédios não faziam efeito, como não fazem até hoje. E eu só precisava de carinho... e não tinha, pois tinha filhos e eu ia sendo negligenciada.

Quando me separei, foi um horror. Os detalhes da separação não merecem ser públicos, mas me vi de repente sozinha, com uma menina de 6 anos e um menino de 2 anos e 11 meses. Gorda, feia, descuidada e muito, muito deprimida. Não sei de onde tirei forças, mas estava sempre exausta, ele não cumpria a parte dele da guarda compartilhada - algo que demorou 3 anos para cumprir, e eu ficava 13 dias direto com as crianças com 2 dias de descanso, e novamente 13 dias, com 2 dias de descanso. Estava mal, não tinha apoio e tinha dois filhos ainda muito pequenos para entender o que estava acontecendo.

E meu lado bipolar quebrava paus, escrevia emails longuíssimos ameaçando, desfiz amizades e meu ex marido sofria com meu bullying, pois nada do que ele fazia estava certo - e hoje ainda acho um pouco que não está.

O tempo foi passando, teve momentos em que me fortaleci, teve outros que não... mas meu relacionamento com meu ex marido sempre foi uma montanha russa, de acusações e cansaço, muito cansaço.

Há cerca de três semanas, recebi ameaças dele por mensagem dizendo que se eu não passasse o carro dele pro meu nome (coisa que negligenciei de fazer por cinco anos porque eu não conseguia) ele iria chamar a polícia. Isso foi dois dias depois de um impulso suicida, eu estava frágil, mal conseguia levantar da cama.... mas tive que passar cinco horas na vistoria do Detran para cumprir com a ordem dele, com medo dele tirar o carro de mim, carro esse que eu bati no ano passado e gastei um dinheirão pra consertar. Cinco horas na vistoria do Detran, aos prantos, tendo que ir e vir do mecânico porque ninguém conseguia ler o número do motor. Um horror, horror, não tenho como descrever.

Minha mãe ajudou, foi a um despachante e no dia seguinte o carro já estava no meu nome. Mas e a ferida? O "vou chamar a polícia!". O "não ligue pra minha mãe nem envolva minha família que eu tiro a guarda das crianças de você!" Onde colocar tudo isso em meio a uma crise de depressao e bipolaridade daquelas que você só pensa em morte e não quer viver?

Três semanas se passaram e ontem eu li um artigo sobre como é importante para uma mãe bipolar ter um bom relacionamento com seu ex. Resolvi ser a melhor pessoa nessa história e mandar uma mensagem pro meu ex pedindo uma trégua - não, não o perdoei pelo que ele fez - mas preciso da ajuda dele, ele é pai dos meus filhos e eu sou doente. E como não tenho família, preciso do apoio logístico, da ajuda, preciso contar com ele quando eu não estiver bem.

Sei que fui a pessoa maior aqui, tomei a iniciativa pensando nos meus filhos e eles continuam sendo o único motivo pelo qual estou viva hoje.


terça-feira, 15 de março de 2016

Quando a impulsividade é doença

Sempre fui uma pessoa muito impulsiva, para o bem e para o mal. Mas há pouco tempo fiquei sabendo que essa impulsividade é uma doença. Claro que sou eu, mas meu cérebro gera comandos que fazem com que eu ache que vá morrer se não fizer, disser ou escrever tal coisa. Pior que desejo de grávida. Eu não sabia disso, mas agora, sabendo, consigo entender melhor porque tantas amizades foram destruídas, porque meus namoros nunca deram certo, porque meus empregos também tinham duração curta. Tudo culpa dela: a impulsividade.

Ontem quebrei o pau com uma amiga por ela ficar dias sem me perguntar como estou. A tal impulsividade fez com que eu dissesse coisas horríveis.

A tal impulsividade também tem me feito comer coisas que antes eu nem deixava passar perto. Tenho ido ao McDonald´s pelo menos 3x por semana. Se não for, parece que vou ter uma síncope. Preciso, necessito, tenho que comer aquela comida.

Quando penso em todos os 45 anos de vida, vejo que a impulsividade atrapalhou tanto a minha vida. Muita coisa poderia ter sido diferente se eu soubesse me segurar, aprendesse a respirar e dar um berro antes da impulsividade tomar conta.

Desde que eu soube que minha impulsividade faz parte da minha doença, e estava tomando um remédio que não me fez bem, vivi na pele uma impulsividade daquelas que a gente só vê nos cinemas, de querer tomar 10 banhos por dia, passar o dia cantando baixinho, etc e tal.

Quando a impulsividade se junta à ansiedade, aí a merda está feita. Eu tenho uma mania chamada 'picking', ou seja, eu me auto-mutilo. Eu estouro meu couro cabeludo e como tenho comido muita comida oleosa, eu estrago a minha pele também. É incontrolável, da hora que eu acordo até a hora que vou dormir. Já tomei remédio pra isso e ele me deixou letárgica e foi horrível. Meu médico agora prescreveu comprimidos manipulados... diz ele que vão ajudar, mas eu já não tenho muita esperança de nada.

Enfim, a estrela do dia hoje foi falar da minha impulsividade e como minha vida poderia ser diferente se ela não existisse. E haja terapia.


domingo, 13 de março de 2016

Parem de falar sobre meus filhos!!!!!!!

Quando estamos em depressão severa, temos transtorno bipolar e o raio a quatro, TODO MUNDO FALA "PENSA NOS SEUS FILHOS", como se fossemos os piores pais do mundo. 

Vocês acham mesmo que eu não penso nos meus filhos? Eu penso. Mas com a maior culpa do mundo, pois eles têm uma mãe incapacitada para brincar, para rir, para querer até estar com eles. Quando estamos doentes do jeito que eu estou, nós não pensamos nos filhos. SIMPLESMENTE NÃO DÁ. É um peso mundo grande.

Eu tenho a sorte de ter uma empregada que cuida da casa e faz a comida pros meus filhos etc. Mas vocês acham que eu estou preocupada com a lição de casa deles? Que eu ajudo a fazer? Que eu sou carinhosa? NÃO!!!!! EU ESTOU DEPRIMIDA DEMAIS PARA FAZER ISSO!!!!! Nesse momento eles são um peso! Eu sou filha única, não tenho primos, nem tios, e amigos.... ninguém telefona, os pais dos amiguinhos deles não estão nem aí na maioria das vezes, não convidam, não fazem nada. Então como faz?

Vocês acham que pensei nos meus filhos quando tive um impulso suicida e quis me jogar do 8o andar! CLARO QUE NÃO! Eu só queria que a dor acabasse. A MINHA DOR. 

Mas não vale me chamar de egoísta. De mãe ruim. Nada disso. EU ESTOU DOENTE E VOCÊS NÃO SABEM DA MINHA DOR.

Então não falem para pensar nos meus filhos. Eu penso 24 horas por dia. E vejo o quanto estou perdendo da vida deles e não consigo fazer nada a respeito. Vejo o quanto eu poderia estar tendo de qualidade com eles e NÃO CONSIGO.

ENTÃO NÃO FALEM PARA UMA PESSOA DOENTE COMO EU PENSAR NOS FILHOS, COMO SE FOSSEMOS UM BANDO DE LOUCOS QUE QUEREM QUE OS FILHOS SE FERREM!

Eu penso neles e é uma MERDA DE BOSTA DE VIDA que não consigo ser a mãe que eles merecem que eu seja,

PAREM. APENAS PAREM!


O meu dia a dia ultimamente

Viver em estado depressivo, sem perspectiva de cura é assim: 

Você acorda grogue, pois tomou muito ansiolítico + antipsicótico que dá sono, e o que menos quer fazer é sair da cama. Mas chega uma hora que as costas doem e você precisa levantar pra tomar café da manhã, pois comer é uma das coisas que você (pelo menos eu) mais faz quando está mal.

Toma café e pensa: e agora? Se é durante a semana, tem o esquema de levar filhos na escola, voltar e a cabeça funcionar por algumas horinhas pra trabalhar... entre 2 e 3 horas tops, e olha lá. Aí o cérebro para de funcionar. E a depressão se aloja feio. Você come. Toma 1, 2 lanches. Isso porque ainda falta o almoço.

Deita na cama e começa a navegar, olha o facebook, mundo irreal onde tudo é perfeito e as pessoas saem, se divertem, nao tem problemas, posta alguma coisa triste que ninguém vai dar bola, e decide que chega. Resolve assistir alguma série, mas lembra que já viu tudo o que tem, e aí só tem porcaria pra ver.

Aí chega o almoço, isso quando não dá desejo de pedir McDonald´s ou China em Box (os preferidos da minha depressão no momento).

Depois do almoço a vida se torna um martírio. Com o cérebro sem funcionar, trabalhar não é uma opção. Dormir talvez? Mais ansiolítico pra ver se o sono chega. Nada. Você olha pro teto. Te dá vontade de morrer e você começa a chorar de culpa. Quem fica não tem culpa. Mas ficar também não é a solução. Aí você chora mais e a cabeça não funciona e entre uma coisa e outra percebe que já está escuro. 

Tem dias que você consegue levantar e ir ver o Jornal da Band. Outras que nem isso, a cama está grudada em você e nada do que você faz resolve. Mais um seriado. Novo hit: ver gente espremendo cravos no you tube. Sabia que é algo que faz o maior sucesso?

Eu tenho uma coisa chamada picking. Ou seja, eu me auto-mutilo. Estouro meu couro cabeludo e meu rosto, não posso ver uma casquinha, uma espinha, que eu estouro. Assistir os outros fazerem isso me acalma. Nojento né?

Aì você assiste mais seriados bestas, tem um monte por aí, até resolver que está na hora de dormir. Nem lembrou que tem filhos. Não brincou com eles, nem perguntou se eles estavam bem. Ficou o dia inteiro internado dentro da depressão, que não vai embora, decidiu se instalar até o novo remédio fazer efeito.... e isso é só daqui 5 ou 6 semanas, se é que vai dar certo, se é que é o remédio certo.

E assim acaba seu dia, você se droga com os remédios da noite e vai dormir.

FIM.