quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Como se relacionar aos 46?

Tenho 46 anos.

E sou Borderline, ou seja, tenho muita dificuldade com relacionamentos interpessoais.

Essa semana publiquei um post no Facebook (e depois apaguei) onde eu criticava as pessoas por não serem minhas amigas. Foi minha face Borderline falando. Tive uma recaída. E foi horrível, pois tomo tanto remédio para ser "normal". Só que esse pensamento de como me relacionar aos 46 é algo intermitente na minha cabeça.

Vejo fotos de pessoas juntas,bebendo, se divertindo, namorando, se relacionando. E eu sempre sozinha. Não consigo. Não sei por onde começar. Não sei o que fazer. Não sei.

Nos últimos quase sete anos, desde que me divorciei, só conheci homens via Internet. Sites de namoro. Sites de sexo. Sites de traição (sim, porque existem solteiros em sites de traição). Porque não sei conhecer pessoas reais no mundo real. Simplesmente não sei o que fazer.

Então, como se relacionar aos 46 anos? Ah, eu daria um milhão de dólares para quem tivesse a resposta. Pois não há. Não consigo fazer turma, pois minha expectativa é muito alta e acabo me decepcionando. Não consigo ter um namorado, pois me apaixono perdidamente nas primeiras 48 horas, e a pessoa não corresponde. É uma doença muito séria e eu estou tratando. Juro que estou tratando. Faço terapia para discutir tudo isso.

E lógico que existe o aspecto físico. Quando eu estava com 105 quilos, como iria me relacionar com alguém? Me sentia enorme, feia, inchada. Quem ia querer saber de mim? Agora, operada, e já tendo emagrecido 14 quilos, começo a ver luz no fim do túnel. Vou emagrecer mais, vou voltar para o meu peso ideal - se bem que isso vai demorar alguns meses - e aí... por onde começar?

Meu psiquiatra e minha terapeuta dizem que agora é hora de cuidar de mim. De ser egoísta mesmo. De olhar para dentro e me curar internamente, para estar bem para o outro. Mas isso é muito solitário. São noites e noites olhando para o teto. São quase sete anos sem dormir com alguém (sem ser meus bichos) na minha cama. E acordar e transar logo cedo e olhar olho no olho naquela preguiça boa de domingo de manhã, sabendo que podemos ficar o dia inteiro na cama e nada vai nos atrapalhar.

Sinto falta disso. Do toque, do abraço apertado, do beijo apaixonado.

Sinto falta das gargalhadas, das viagens, das amizades, da cumplicidade daqueles que sabem o que você está pensando.

Por isso, não tenho a resposta. Não sei como me relacionar aos 46 anos.

Quem sabe um dia me venha uma luz e me explique. Até lá, continuarei sozinha.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

A arte de não fazer nada

Eu não faço nada. 

Até faço... mas meu dia é... estranho.

Eu acordo, lavo a louça, tomo café... tem dias que levo meus filhos para a escola. Aí tiro a roupa do varal, arrumo o quarto das crianças, ajeito o meu... vejo o que meus filhos vão almoçar e jantar para poder tirar do freezer, coisas assim.

E espero.

Espero entrar algum e-mail referente ao trabalho que me faça fazer alguma coisa.

Mas raramente entra.

Atualmente tenho dois clientes. Nesta crise, me sinto abençoada por todos os deuses por ter esses dois clientes. Mas pouco faço.

Então, nos entremeios, eu assisto séries e mais séries. Filmes e mais filmes. Ainda bem que existe Netflix e Putlocker. São a minha salvação.

Porque eu não faço nada.

Eu limpo o cocô dos gatos nas caixinhas, e o mijo da minha cachorra, que está com incontinência urinária, pela casa. De vez em quando vou ao supermercado ou ao sacolão. Pego meu filho na escola 3x por semana. 

E então, não faço nada.

Assisto o Jornal da Band. O Jornal Nacional. O Em Pauta na GloboNews.

Assisto mais algum seriado tosco que ninguém nunca ouviu falar. Tomo banho. Lavo o cabelo.

Aquele e-mail sobre trabalho não entrou hoje, talvez nem entre amanhã.

Então eu não faço nada.

Mexo no Facebook, no Instagram, às vezes no LinkedIn para ver se aparece algum trabalho para frilas como eu. Lavo a louça. Ponho meu filho pra dormir. Dou um beijo na minha filha.

Tomo meus remédios e deito na cama, já exausta de não ter feito nada.

Porque eu não faço nada.

domingo, 25 de setembro de 2016

Renascimento

A maioria dos bariatricados dizem que renascem após a cirurgia bariátrica. Eu não conseguia entender isso até sentir na pela o que eles queriam dizer. Não é que é verdade? Existe uma sensação de que temos o antes e o depois. Que a vida nunca mais será a mesma, por isso o renascimento. E é esse o caminho mesmo: reaprendemos a comer como um bebezinho. Vemos o ponteiro da balança cair e com ele a autoestima começar a chegar. Muitos dos problemas que nos acompanhavam com a obesidade mórbida começam a dizer adeus. Então eu me sinto renascendo!

E como é isso para alguém que tem doenças mentais? Difícil descrever. Uma coisa é visível: meu skin picking, que tanto incomodava e deixava meu couro cabeludo e meu rosto com crateras de tanto eu cutucar quase que desapareceu. Minha pele está mais radiante. Eu estou me sentindo mais feliz. Ainda tenho os percalços da solidão, que é tão inerente na minha vida. Ainda sofro um pouco com isso. Mas quem disse que seria perfeito?

Minha psicóloga disse que minha doença primária não é depressão, nem bipolaridade. É o borderline. O que é isso? Uma pessoa que tem dificuldade em se relacionar, que tem problemas com o outro, que se sente vulnerável e tem expectativas para com o outro que nunca serão atendidas. Hoje eu consigo enxergar isso com muito mais clareza. E sei que ainda tenho um longo caminho pela frente para entender e absorver tudo isso. Mas para isso que faço terapia, vou ao psiquiatra, tomo um monte de remédios. Tenho uma "safety net" que me ajuda nos meus problemas psiquiátricos.

Mas voltando a cirurgia bariátrica: quem disse que ela piora a depressão? Meus médicos tinham medo que isso acontecesse. Mas eu me sinto muito mais viva, mais feliz, com vontade de acordar no dia seguinte e realizar minhas tarefas, de estar com meus filhos, me amar, estar bem na minha própria companhia sem culpar tanto o outro pela minha insatisfação.

O caminho não é fácil, mas com certeza já há uma mudança muito clara. E eu estou me sentindo bem. É o universo retribuindo. 

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Ficar 22 dias sem mastigar

Mastigar é um ato instintivo quando estamos comendo. Tem aqueles que mastigam devagar, com consciência do que estão fazendo, tem aqueles que devoram a comida sem nem ter tempo de mastigar.

Agora quem passa por uma cirurgia bariátrica não pode mastigar por muitos, muitos, muitos intermináveis dias. Porque o estômago está machucado. Ele foi grampeado e mastigar libera suco gástrico e faz com que a comida mastigada, mesmo que muito bem mastigada, rompa um grampo, criando uma fístula, ou um buraco. E o tratamento é cirúrgico, pois começa a vazar o estômago e pode dar uma infecção generalizada.

Por isso, ficamos sem mastigar. No começo, só podemos tomar líquidos ralinhos. Água de coco, suco coadíssimo, a aguinha da sopa, e temos horários, regras, etc. No meu caso, eu precisava tomar 150 ml de algum líquido dividido em 50ml de 20 em 20 minutos. Hora whey protein. Hora água de coco, e assim por diante. Foram 7 longos dias. Fiquei deprê. Parecia que não ia acabar nunca. Mas precisamos ser fortes nessa hora. Não queremos ter problemas sérios.

Aí passei para a fase pastosa. Não precisava mais tomar a água "sujinha" da sopa. Podia bate-la no liquidificador e tomar. Os sucos não precisavam ser mais coados. Enfim, a fase de bebê pastosa havia começado. Mas quem disse que foi fácil? Entalos, vômitos, todos os dias. Parecia que a tampinha enchia e não cabia mais nada. Muitas vezes algo não caia bem. Não queira entalar. É horrível. Dura horas para passar. E você "aprende" a vomitar. No meu caso, não foi uma adaptação fácil. Eu deveria ter ficado mais uns dois dias na fase líquida. Mas o médico e a nutricionista recomendaram já passar para a fase pastosa. E eles sabem do que falam.

Agora, estou reaprendendo a mastigar. Na verdade, só posso voltar a mastigar mesmo daqui 2 dias. Mas já vou treinando. Um pedacinho de pão com requeijão aqui, um pedacinho de melancia ali, sopa com macarrão cabelinho de anjo... Já dá para matar a saudade do mastigar. Mas tenho medo. Na hora que eu tiver que voltar a comer frango, carne, peixe... como será? Mastigar, na minha vida, será um ato lento e certo, algo demorado e constante, para que eu não tenha problemas. Mas ninguém te ensina a mastigar devagar. Será um aprendizado e prevejo muitos entalos e vômitos no meio do caminho. 

Com 46 anos, estou reaprendendo a comer. Mas foi uma escolha minha. E tenho certeza de que a recompensa valerá a pena.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Cirurgia bariátrica e doenças mentais


Há exatos 14 dias passei por uma cirurgia bariátrica. Confesso que é uma cirurgia difícil. Não por conta de dores, ou de recuperação do corpo. Isso é tranquilo... fiquei com o abdomen inchado por cerca de dez dias, algumas marcas roxas e 6 furinhos na barriga que estão fechados com cola cirúrgica. Mas o emocional e o psicológico de não poder comer apropriadamente, não poder mastigar, isso realmente é a parte mais difícil.

Antes de fazer a cirurgia, meu psiquiatra e minha psicóloga estavam muito apreensivos sobre como eu iria reagir. Os 30 dias pré-operatórios foram MUITO difíceis. Uma ansiedade sem fim tomou conta de mim. Eu passei muito mal, tive que tomar rivotril duas vezes por dia. Foi uma espera sem fim. E um drama... se o plano de saúde iria aprovar ou não. Acabei abrindo uma página no facebook para contar meu dia a dia em vídeos curtos. E a página hoje é um sucesso, com mais de 2.600 pessoas curtindo e interagindo comigo.

Agora, no pós-cirúrgico, o medo do meu psiquiatra era da minha capacidade de tomar direito minhas medicações psiquiátricas. Mas no segundo dia, o cirurgião já liberou tomar os remédios sem amassa-los, o que deixou todos mais tranquilos.

Não vou dizer que não fiquei um pouco deprimida depois da cirurgia. Nos primeiros dias, a gente só pode tomar líquidos bem ralos, pois o estômago está machucado. Eu, ainda hoje, não pude mastigar e estou em uma dieta pastosa: água de coco, purê de frutas, sopa batida no liquidificador bem cremosa, gelatina. Tive problemas com a minha nutricionista, pois não concordei com algumas coisas que ela determinou. E como temos o livre-arbítrio de mudar de profissional, no começo de outubro mudarei de nutricionista.

De resto, fazer a cirurgia e ter uma doença mental é muito tranquilo. Tenho feito caminhadas leves diárias. Sigo a dieta. Não tenho fome. Minha compulsão alimentar de repente desapareceu. Sigo as orientações do meu cirurgião e tudo parece estar bem. 

Já percebo o desinchado e creio que eu tenha emagrecido um pouco, se bem que ainda não me pesei... só tenho retorno no cirurgião no dia 14. Mas eu recomendo a cirurgia para quem esteja acima do peso (30/40 quilos) e não tenha conseguido emagrecer nos últimos 2, 3 anos, mesmo com acompanhamento.

Agora é só esperar... e emagrecer.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Ansiedade mata?

Ser ansioso é um estado de espírito. Tem gente que é super zen e eu invejo pra caralho. O mundo vai explodir, e a pessoa está lá, dobrando a roupa, cortando a unha do pé, fazendo um suco, lendo um livro. GENTE, PARA COM ISSO!!! Quem é ansioso é superlativo, fala alto, gesticula, grita, não aguenta, quer que tudo aconteça ontem, por que esperar, por que não falar, por que ficar quieta???? Tem que acontecer, tem que ser, tem que ir, tem que voltar, tem que subir, tem que descer, tem que decidir logo, senão a gente morre, senão o bicho pega, senão a vaca vai pro brejo, senão.... aff que canseira, não?

Mas... ser ansioso é assim. É viver na espera. É não aguentar o tempo passar. É não aguentar o tempo do outro. É não saber que a vida não passa no nosso tempo, mas no tempo dela mesma, que o mundo não vai explodir e que não vamos morrer de ansiedade.

Esse fim de semana que passou foi muito difícil, achei que não ia sobreviver, a ansiedade era tanta, foi ansiolítico para tentar resolver, foi muita internet, foi ficar um pouco sem filhos, cozinhar - cozinhei muito, comecei a me preparar para algo que só vai acontecer daqui 30 dias, mas eu tinha TINHA TINHA que me preparar senão ia morrer. De ansiedade.

domingo, 31 de julho de 2016

Sabendo filtrar muita bobagem

Quando decidimos fazer uma cirurgia do porte de uma bariátrica, estudamos muito (pelo menos eu), entramos em fóruns no Facebook, assistimos vídeos no You Tube, nos exaurimos com tanta informação. Além de todas as informações de cunho pessoal, coincidentemente sou assessora de imprensa do IFSO 2016 - Congresso Internacional de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, que acontece no fim de setembro no Rio. Ou seja, tenho falado com os grandes especialistas desse setor, sobre todos os tipos de técnicas, indicações, novas tecnologias, etc.

Daí tem que vir o filtro. Primeiro, separar a vida profissional da pessoal. As técnicas, o que "deveria" ser, o estado da arte das cirurgias, é uma coisa e nem sempre existe no Brasil e é acessível. Na parte pessoal, tem MUITA BOBAGEM nos fóruns dos quais participo, gente ignorante fazendo perguntas absurdas, esquecendo que é preciso pesquisar muito e estar psicologicamente preparado para uma cirurgia que vai mudar sua relação com a alimentação para sempre. Gente que engorda depois porque descuidou, porque ao invés de comer saudável se entupiu de doce e salgado (depois de todo sofrimento que é passar pela cirurgia), ou seja, bobagens.

Faço parte de alguns fóruns e eles até que são interessantes para obter algumas informações, principalmente sobre plano de saúde, se foi mais fácil para uns e outros - só vou ficar tranquila quando meu plano autorizar - e outras perguntas que acabo fazendo... comentários sobre ansiedade, etc.

Mas é necessário ter muito filtro quando se vai fazer uma cirurgia desse gênero, pois a vida toda muda e cada corpo é um corpo e cada mente é uma mente, e cada um tem sua equipe médica que sabe o que é melhor para cada um. Eu até poderia ficar sem participar dos fóruns, mas acho que  minha ansiedade ficaria maior, pois é bom ver a evolução de cada um, as fotos dos antes e depois que postam, etc. É um incentivo a mais. 

sábado, 30 de julho de 2016

Contagem regressiva

Cirurgia marcada. Dia 30/8 lá estarei, no Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, para minha cirurgia bariátrica. O método escolhido pelo meu cirurgião foi a gastrectomia vertical, nela se tira 80% do estômago e ele fica com a capacidade de ingestão de 180 a 200 ml.

Como eu sou muito ansiosa, hoje tive que encher o saco da minha nutricionista. Eu precisava ir ao sacolão fazer uma compra para a casa e pensei com meus botões... por que já não deixo os caldos e algumas sopas prontas para o pós-cirúrgico? Bom, ela me mandou via whatsapp os alimentos que podem ser consumidos nas primeiras duas semanas e eu passei a manhã cozinhando. Fiz caldos suficientes para 8 dias e algumas sopas.

Na verdade, ainda falta a parte do plano de saúde. Meu médico saiu de férias e deixou tudo a cargo da secretária dele. Ela precisa me mandar uma documentação para eu encaminhar para a Sulamérica. Eu espero que ela seja rápida com esse processo. São 30 dias dos quais precisarei muito acompanhamento psicológico para não surtar, que preciso trabalhar, cuidar dos meus filhos, cuidar da casa, pensar na minha mãe. É muita coisa para uma cabeça só. Mas eu sei que tomei a decisão certa. O negócio agora é tentar controlar essa ansiedade que é o cão chupando manga. 

terça-feira, 26 de julho de 2016

Mudando prioridades

Em novembro do ano passado, o meu grande sonho era voltar a dançar, depois de mais de dois anos parada. A dança é uma paixão e eu precisava dela como o ar que eu respiro. Fui, me matriculei no estúdio de dança, voltei em janeiro. Mas... a depressão ou bipolaridade ou transtorno de ansiedade ou impulsividade estavam tão absurdamente grandes, que fui em 2 ou 3 aulas e parei, desisti, não aguentei.

E aí começou a mudança na minha vida. Foram 15 quilos a mais desde dezembro. Fiquei diabética. Minha pressão arterial está limítrofe. Meu colesterol está na casa do caralho. Estou pesando 104 quilos. Como eu deixei isso acontecer comigo mesma? Eu estava ocupada demais cuidando da minha cabeça e larguei meu corpo. Descuidei dele. Meu templo. Destruído.

E as prioridades mudam. O que eu mais quero agora? Quero deixar o diabetes de lado. Quero voltar a ter a pressão 10x9. Quero voltar a fazer esteira sem meus calcanhares doerem como se houvessem agulhas neles. Quero olhar no espelho e ver a Cléa. Onde ela está? Meu sonho hoje? Fazer uma aula de yoga inteira. Ir aos poucos, voltando, meu corpo voltando, voltando, voltando... para de onde nunca devia ter saído.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

O diabetes

Eu já suspeitava, mas não queria admitir. Com os resultados de sangue todos alterados... era fato. Mas eu precisava ouvir da boca de um endocrinologista. Problema: o endocrinologista indicado pelo outro médico é um ex-namorado. Segura a vergonha, Cléa, mesmo com quantos quilos mesmos... 103 quilos. Marca consulta e vai.

Fui. Ackward.... Sorrisinhos assim, sorrisinhos assado, pedi desculpas pela tensão no ar "sabe, lutei para não vir aqui durante anos, mas muita gente indicando, não deu certo". Cléa, sobe na balança. 104 quilos. Engordei mais 1 em 2 semanas. É a ansiedade pré-cirúrgica.

Ele pega os laudos de todos os 500 exames que fiz para ver. Cléa, você está diabética. Caralho. Eu não sabia. Imaginava, mas não sabia. Agora... nem vamos tratar direito. A cirurgia vai consertar. Aliás, santa cirurgia que eu tanto espero, vai consertar o colesterol, a dor nos pés, a esteatose hepática, a autoestima. Vai consertar, sarar, salvar.

Depois me diz como me senti. Meu ex-namorado, que me conheceu e me namorou quando eu pesava 55 quilos, me vendo e sendo meu endocrinologista com 104 quilos. Ainda estou em estado de choque. Não sei se pela consulta e o carinho dele, ou se pelo fato de descobrir por A + B que tenho diabete mellitus tipo 2. Puta que o pariu. Hoje foi um dia e tanto.

Mas, só vou ficar tranquila quando o plano de saúde autorizar a cirurgia. Até lá, vou roer as unhas pra não comer Nutella.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Eu não sei trabalhar em equipe

Hoje vou mudar de assunto e falar de trabalho. 

Eu não sei trabalhar em equipe. Não sei se isso tem a ver com minhas doenças mentais. Acredito que sim. Mas desde os primórdios dos meus primeiros empregos, nunca fiquei mais do que 1,5 ano em uma empresa. 

Comecei a trabalhar aos 16 anos como recepcionista de uma academia. Eu havia terminado o colegial, tinha que esperar um ano, pois ia fazer intercâmbio, e consegui esse emprego. O fato de ter data para acabar foi pra mim maravilhoso, pois não me gerava ansiedade. E eu tinha academia de graça. Foi um trabalho divertido, de janeiro a dezembro. O único que realmente gostei.

Depois, já na faculdade, tinha muita facilidade em passar em concursos. Trabalhei nos Correios - fui selecionada entre 3 mil candidatos. Pegava ônibus da faculdade para o estágio. Me enchia o saco, mas até que eu gostava. Quando acabou o ano letivo, quiseram renovar comigo por mais um ano, mas eu havia passado no concurso da Comgás, que era bem mais perto, e resolvi trocar.

Já formada, comecei a procurar emprego em agências, mas fui parar em uma empresa de tecnologia, a TecBan, Lá fiquei mais de um ano, até ser sumariamente mandada embora por uma administração podre. E aí comecei a trabalhar em assessorias de imprensa. Foram várias: Primeira Página, ADS, S2, Máquina da Notícia, Publicom, Ketchum. Em nenhuma cheguei a completar dois anos. Eu fui diagnosticada com depressão aos 25 anos. Tenho certeza de que minha doença influenciava no dia a dia. Eu me enchia o saco. Não aguentava ter horário fixo, não aguentava ter chefe, meu humor mudava 20 vezes durante o dia... e eu acabava pedindo demissão, ou sendo mandada embora.

Em 2005, abri minha própria agência, e foi aí que me descobri: eu podia fazer meu próprio horário. Era boa em vender meu próprio peixe, conquistar clientes, fazer parcerias. Contratava gente para fazer o trabalho que eu não gostava, que era o de vender pauta. Mas em 2008 fiz a cagada de deixar meu ex-marido vir trabalhar comigo. Se eu tivesse contratado alguém para administrar a agência, talvez as coisas não tivessem chegado ao ponto que chegaram. E em 2010, me divorciei e tive que fechar a agência física e vir trabalhar em casa.

Desde então, tentei trabalhar fora em outras agências 3 vezes. Na primeira, levei um tombo, estourei meu pescoço (sou operada da coluna) e não pude mais ir, pois precisava ficar em repouso. E era um job de três meses. Na segunda, fiquei quase dois meses trabalhando e entrei em depressão profunda. O dono da agência pagou dois meses... quando eu voltei, me mandou embora. E agora, há pouco mais de dois meses, tentei trabalhar em uma escolinha de informática e não aguentei. Rádio-peão, pessoas insatisfeitas, clima ruim. Comecei a ficar doente de novo, e meu médico pediu para sair,

Então no momento tenho três trabalhos: um cliente de telecomunicações que divido com outra agência, um cliente de redes sociais que é bem tranquilo, e um job de um congresso com duração de três meses. Depois disso não sei qual será meu futuro, O mínimo para viver eu tenho. Mas minha doença não me deixa mais alçar grandes voos. Tenho que pensar na minha estabilidade, e isso requer ficar satisfeita com o mínimo para me manter ocupada, mas sem grandes emoções.

Ser doente mental interfere demais no trabalho. 

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Uma batelada de exames

A vida de uma pessoa com doenças mentais não é fácil. Temos que ter muita disciplina para tomar os remédios, passar regularmente com o psiquiatra e fazer terapia. E hoje tenho que agradecer essa disciplina, pois desde que decidi fazer a bariátrica, essa paz que a disciplina traz está me ajudando. 

Hoje tenho uma batelada de exames para fazer: ultrassom de abdomen alto, ecocardiograma, eletrocardiograma e raio X do pulmão. Ontem fiz endoscopia. E aí os exames estão completos e é só esperar os resultados.

Na semana que vem passo pelo endocrinologista, cardiologista, psiquiatra, psicóloga e, finalmente, pelo meu gastro. Espero já ir com todos os resultados em mãos, para que ele possa dar entrada nisso que será o resto da minha vida.

Estou animada com todo esse processo e agora, passada a ansiedade inicial, já estou comemorando. Sei que o caminho não será fácil, mas acredito em mim e sei que vou conseguir, com muito apoio psicológico e nutricional.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Em busca do resultado imediato

Durante meu tratamento psiquiátrico, uma das coisas que mais me atrapalhou foi a falta de paciência de esperar os remédios fazerem efeito. Eu ficava deitada, prostrada, escondida no meu quarto, esperando os dias passarem e eu sentir algo diferente, me sentir melhor, sentir que eu estava viva e podia ter uma vida normal. Não foi um processo fácil e demorou vários meses até os remédios começarem a agir e a vida tomar seu curso. Foi lento, um dia de cada vez. Mas a minha falta de paciência era enorme. Eu ficava inconformada de como tudo era devagar. E até hoje, se tiver que trocar de remédio, por exemplo, tenho certeza de que me sentirei do mesmo jeito.

O mesmo está sendo esta espera da cirurgia, que ainda não tem data marcada. Hoje farei o primeiro grande exame, a endoscopia. Um grande passo para a humanidade. Sinto a mesma coisa de quando estava mal psiquiatricamente falando, uma falta de paciência, uma dor pela antecipação da demora, a vontade de fazer o tempo correr mais rápido.

Estou fazendo parte de vários grupos de apoio e sei que a pressa é a inimiga da perfeição, e todo mundo diz para ficar tranquila, tem gente esperando há dois anos para ser operada, tem gente que precisa passa 8, 9, 10 vezes no psicólogo para ter o laudo liberado. Então eu posso me sentir privilegiada, pois sei que os médicos pelos quais eu passar me darão o laudo no mesmo dia, e aí é só terminar os exames.

Mas aquela pontinha de impaciência insiste em ficar. Não é fácil ser assim.

terça-feira, 19 de julho de 2016

O passo a passo de uma cirurgia bariátrica

No começo de junho deste ano, fui escolhida para ser uma das assessoras de imprensa do Congresso Mundial da Federação Internacional de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. Mal sabia eu que estaria eu mesma passando por este processo um mês depois.

Decidir pela cirurgia foi fácil. Eu havia ido ao ginecologista e a secretária dele, que emagreceu 39 quilos, me contou que fez a bariátrica com um médico que atende pela Sulamérica. No dia seguinte liguei pra ele e peguei o telefone dela, mas qual foi minha surpresa quando o próprio médico me telefonou para tirar algumas dúvidas. Marquei consulta e uma semana depois estava no consultório dele.

Ele me explicou tudo o que é necessário: os exames pelos quais eu teria que passar (endoscopia, ecocardiograma, eletrocardiograma, raio X de pulmão, ultrassom de abdomen alto, e vários exames de sangue), e que eu teria que ter o laudo de um cardiologista, um endocrinologista, uma nutricionista, meu psiquiatra e minha psicóloga.

À princípio, eu havia me programado para conseguir toda essa papelada e operar apenas na primeira semana de outubro, mas quando fui olhar minha agenda - além da ansiedade de esperar tanto tempo - outubro é um mês cheio de feriados judaicos, crianças em casa muitos dias, pouco sossego. Fora a ansiedade que eu já mencionei.

Aí chegaram alguns dos resultados dos meus exames de sangue. Ah, e quando me pesei no consultório do gastro, a balança registrou 103 quilos, o maior peso que eu já estive até agora, e o IMC perfeito (40,2) para operar pelo plano de saúde sem comorbidades (as doenças graves que vêm com o peso alto). Eu tenho algumas: colesterol, insulina, triglicérides e glicemia no telhado, e esteatose no fígado.

Passada a consulta no gastro, a primeira consulta que marquei foi na nutricionista. Aiii que sono. Ela quis me passar uma dieta funcional daquelas que temos que comprar TUDO diferente, castanhas pra cá, farinhas diferentes pra lá... eu pretendo ter uma alimentação saudável após a cirurgia, mas agora? Vamos cair na real!! Emagrecer eu não posso de jeito nenhum. Ela não me deu o laudo, e eu saí da consulta dela com uma dieta em mãos, e puta da vida. Depois conversei com ela por whatsapp. Disse que até o fim de julho eu precisava que ela entregasse o laudo para o meu médico.

Nesse meio tempo, resolvi num num dia de ansiedade mudar minha cirurgia para o fim de agosto, data inicialmente sugerida pelo gastro. Entrei em vários grupos no facebook para tirar dúvidas. Pessoas de todas as faixas etárias, níveis sócio-econômicos, raças, credos, gêneros. Todos contando como foi difícil as primeiras semanas, mas que se pudessem, fariam tudo de novo. 

Não tive mais dúvidas: fim de agosto.

Hoje foi fazer a endoscopia. Na quinta-feira é a fez do ecocardiograma, do eletro e do raio X do pulmão.

Semana que vem faço meus exames ginecológicos (tudo começou com meu ginecologista, certo?) e um deles é o ultrassom de abdomem alto. Na semana que vem passo pelo cardiologista e pelo endocrinologista (que é um ex-namorado meu...). 

Aí falta o laudo do meu psiquiatra - o mais importante - e a carta da minha psicóloga. Meu psiquiatra é um cara de bom senso e tenho certeza de que estará ao meu lado durante esta decisão. A psicóloga já disse que entregará a carta.

E aí é hora de levar tudo ao gastro e ele dar entrada no plano de saúde, que tem x dias úteis para retornar. Aí que realmente  começará a bater a ansiedade, pois é uma mudança radical de vida. Meu estômago passará a ter 180ml e é isso que eu poderei consumir em uma refeição. 

Mas estou super preparada para essa mudança. Para não ter mais problemas de saúde. Para voltar a vestir aquela calça tamanho 40. Para minha autoestima voltar. Estou muito preparada. Mais que preparada!


segunda-feira, 18 de julho de 2016

E às voltas com as crises de pânico

O coração acelera, dá falta de ar, parece que você vai morrer, aí vem o choro, e ele é incontrolável, e você se encolhe, toma o ansiolítico e fica esperando quietinha, aos prantos, passar.

Pois é... a crise de pânico chega sem avisar, é causada por alguma coisa que alguém disse ou que você viu, ou os dois, e não tem volta, não dá para acalmar, nem controlar, o corpo perde a função, o negócio é esperar passar e depois aguentar a ressaca que dá.

Ontem tive uma crise de pânico depois de uma tarde com a minha mãe, nossa relação é complicada, ela nem percebeu o que disse, o que fez, mas quando cheguei em casa, comecei a passar mal, não conseguia parar de chorar, rivotril na veia, acabei adormecendo depois da mais de uma hora de choro.

Aí hoje chego em casa e quem está na minha casa? A minha mãe, veio sem avisar, estava no quarto do meu filho.... pronto, voltou tudo, fiquei irritada, gritei, ela começou a chorar, se fez de vítima, me deixou pior ainda, disse que não aguenta mais as coisas que eu digo na idade dela, e eu gritava MAIS EU SOU LOUCA, SOU LOUCA, TEM QUE APRENDER A LIDAR COMIGO, SOU LOUCA. Comecei a chorar e fiquei horas assim, não conseguia parar, e ela só se acalmou quando percebeu que eu não faço de propósito, ela causa isso em mim, é o único parente que tenho, e é tão difícil minha relação com ela, puta que o pariu, podia ser diferente.

domingo, 17 de julho de 2016

Virando borboleta

Como vocês podem imaginar, tenho lido e estudado muito sobre cirurgia bariátrica. Tanto para fins de trabalho - sou assessora do Congresso Internacional de Cirurgia Bariátrica que acontece no fim de setembro no RJ - quanto para meu uso pessoal.

Muitas pessoas se referem ao processo de passar por uma cirurgia bariátrica como se estivessem virando borboletas, ou seja, saindo do casulo para a vida. Muitas deles sempre foram obesas e nunca souberam o que é ser magra. Acho que existe algo de cruel para quem sempre esteve dentro da faixa de peso ideal e de repente ficou obesa mórbida. Sei o que é ser magra. E mesmo sendo magra, nunca me achei magra. Quando somos magros, sempre achamos que dá pra ser mais um tiquinho, tem mais uma gordurinha aqui, outra ali e nunca estamos satisfeitos. Algo me diz que eu nunca ficarei tão feliz quanto quando a balança baixar dos 80 quilos, o que me deixa ainda dentro do grupo de obesos, mas já me deixa mais leve. 

Estou sonhando com isso. Tanto que para evitar que meu transtorno de ansiedade grite, resolvi adiantar a cirurgia para fim de agosto. No dia 10 de agosto, meu aniversário, vou entregar toda papelada para meu gastro e ele disse que até o fim de agosto teremos a cirurgia agendada. Não vejo a hora. Sei que será uma mudança sem volta e para a vida toda, mas acabará com várias comorbidades que eu tenho, e acabará principalmente com o efeito sanfona que sofro desde adolescente.

Virar borboleta é uma simbologia desgastada, mas forte ao mesmo tempo. Realmente estamos enfurnadas em casa, nos escondendo de nós mesmas, com vergonha de sair e enfrentar o mundo, porque sentimos dor nos pés, não conseguimos cruzar as pernas, nenhuma roupa cai bem. As pessoas te acham bonita - mas não tão bonita quanto você fosse magra. É nossa sociedade ditando regras. Mas para quem é gorda, é também a oportunidade de ter saúde. Saúde acima de tudo. Lógico que não vou reclamar de me sentir mais bonita. Sei que sou bonita e estou escondida sob esta crosta de gordura. Mas o que mais procuro é saúde.

Então como tenho lido por aí, vou borboletar. E não vejo a hora.




sábado, 16 de julho de 2016

Com equilíbrio, sem equilíbrio, o círculo da vida

Há sete meses comecei uma jornada longa em direção à minha melhora psicológica. Foram muitas adversidades, um caminho tortuoso, muito duro, teve momentos que pensei em desistir da minha vida, tive surtos, problemas mil. Os remédios demoravam para fazer efeito e eu, na minha impaciência, mandava mil mensagens de whatsapp para meu psiquiatra, frustrada, acabada, sem mais forças para fazer nada.

Porém, a melhora, por mais incrível que pareça, foi chegando assim, de fininho. Fui saindo de casa, olhando ainda receosa para o mundo, com muito medo de viver. Engordei demais devido à compulsão alimentar e surtos alimentares incontroláveis, perdi meu equilíbrio, meu rumo, passei a usar tamanho 50 da noite para o dia literalmente.

E isso mexeu comigo num nível tão profundo que já não conseguia mais viver, mais olhar no espelho, me vestir se tornou uma coisa automática, sem graça, visto o que entrar, não me arrumo, não me acho bonita, nada.

Até que deu um clique. Preciso melhorar. Preciso ter qualidade de vida.

Voltando um passo... o trabalho começou a voltar. Acabei assumindo compromissos demais e chegou um dia que minha cabeça deu tilt. Eu estava com cinco compromissos profissionais e não estava dando conta. Falei com meu médico, ele disse para cortar um deles. Tentei, o cara pediu para ficar mais tempo, fiquei, mas a contragosto, lugar com mimimi, rádio-peão, pessoas insatisfeitas, aquilo foi me deixando agoniada, até que essa semana que passou dei um basta. Chega. Não preciso me sentir assim. Meu médico pediu equilíbrio.

E aí volto à questão: por que encontrar equilíbrio é tão importante? Porque o paciente psiquiátrico precisa de equilíbrio como precisa do ar para respirar. Precisamos de rotina, de horário, precisamos ter tempo para o trabalho, tempo para o lazer, tempo para o ócio. Ahhh como seria bom se todo mundo pudesse ser assim. Sem stress, sem ficar no trânsito... me sinto privilegiadíssima por trabalhar em casa. 

E o meu equilíbrio, qual é? É tomar minha medicação na hora certa. É fazer meu trabalho sem uma carga de cobrança enorme. É estar com meus filhos, que me deixam centrada. É viver em paz. Sem dramas. Sem pensar se alguém vai me convidar para sair. Sem ter vida social (no momento). Sem ter vida romântica (no momento).

Chegou a olha de falar de outra coisa: a impulsividade e como ela afeta o equilíbrio. Quando decidi em passar por uma cirurgia bariátrica, não sabia que isso despertaria em mim a tão temida impulsividade que me tira o equilíbrio. Mas ela apareceu? Como? Em forma de texto. Quando estou impulsiva, escrevo para desabafar. Muitas vezes escrevo textos desconexos, mando emails gigantes sem querer, o prazer de apertar o "enviar" é como uma droga. Quero mais e mais e mais. 

Então, desde que decidi pela cirurgia, a impulsividade voltou. Quero escrever sobre como estou me sentindo, sobre cada passo, quero contar, falar da minha experiência, compartilhar com 6 bilhões de pessoas o que estou sentindo. Quero gritar para o mundo: EU TOMEI A DECISÃO DE OPERAR E ESTOU ME SENTINDO SUPER FELIZ A RESPEITO!

Quero ser reconhecida pela minha decisão. Mas combinei com a minha mãe que manteria o assunto em segredo. Não consigo. Quem lê meu blog já está sabendo. Já contei para alguns amigos. Já escrevi na página do Facebook. Já não é mais segredo. 

Mas por que sou tão impulsiva? Por que não consigo manter certos segredos? Mas por que manter coisas em segredo? Tem gente que vive muito bem sem se expor. Mas eu escolhi o caminho da exposição assim que criei esse blog. Quero contar minha história. Não decidi ser jornalista sem motivo. Escolhi porque amo escrever. Escrever sobre mim ajuda a manter minha mente sã. 

Pelo jeito tenho muito ainda o que discutir em terapia. Aliás, fazer terapia na padaria é muito melhor do que numa sala fechada. Me sinto mais próxima da minha terapeuta. O papo flui melhor. Sei que não somos amigas, mas parece duas amigas conversando... quem vê de longe não sabe que lá está rolando uma sessão de terapia. E é tão mais fácil assim.

Sei que precisarei de acompanhamento psiquiátrico e psicológico para o resto da vida. Vou incluir agora na minha vida o acompanhamento de um gastroenterologista e de uma nutricionista. Mas tudo vai valer a pena. Quero voltar a usar 40. Quero olhar no espelho e redescobrir a mulher sexy e bonita que existe debaixo de tanta gordura. Quero olhar o resultados dos meus exames de sangue e ver tudo normal.

Quero o equilíbrio.



sexta-feira, 15 de julho de 2016

E o medo de.... emagrecer!

Pois é. Quem não passa a vida fazendo dietas, se preocupando com o peso, achando que sempre dá pra melhorar? (só quem nasceu com aquele maldito gene de comer tudo e não engordar nada).

Enfim, desde que decidi pela cirurgia bariátrica, meu medo é... emagrecer. Pois estou dentro do IMC perfeito para o plano de saúde aprovar minha cirurgia.

Hoje tive consulta com a minha psicóloga. Conversamos sobre muitas coisas, mas acho que 2/3 da consulta foi para falar do fascinante mundo da cirurgia bariátrica. Ontem passei umas 3 horas lendo o depoimento de pessoas em um grupo do Facebook. Pronto, já estou viciada. É muita gente falando bem, todo mundo reclamando do pós-operatório, mas ninguém dizendo que se arrependeu.

Minha psicóloga ainda não abraçou a ideia - mas na verdade acho que está com uma pontinha de ciúmes pela minha coragem, pois ela também está acima do peso. Ela questiona se vou conseguir manter este estilo de vida pro resto da vida. SIM! Pela primeira vez em muito tempo que eu não me sentia tão, mas tão, mas tão determinada por algo que vai fazer tão bem para minha vida e minha saúde. Não é só uma questão estética. Não vou mais ter que me preocupar com colesterol, triglicérides e glicemia alta. Não vou mais ter que me preocupar em desenvolver diabetes 2. Não vou mais ter que me preocupar com o efeito sanfona.

Hoje foi meu primeiro dia de "dieta" da nutricionista e confesso que estou com medo de emagrecer... então estou trocando aos poucos os alimentos, mas sem diminuir quantidade. Minha meta é me livrar dos doces até a cirurgia, até porque será mais fácil no resto da minha vida. Refrigerante, NUNCA MAIS! 

O que mais me preocupa nesse momento também é minha compulsão noturna. Tomo remédio para ansiedade e para compulsão e eles têm me ajudado muito. Mas como nesses últimos dias fiquei sem meus filhos, pois eles estão em férias na casa do pai, acabei chutando o pau da barraca à noite. Não fiquei sem meu sorvete e sem minha Nutella. Isso também preciso abandonar.

Enfim, são muitas mudanças e minha cabeça está tentando processar tudo.

E nunca imaginei que tivesse medo de emagrecer na vida. 

Preciso me segurar até o dia da cirurgia.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Primeiro especialista: a nutricionista malvada

Hoje comecei a trilhar o caminho para a minha cirurgia bariátrica. Achei que ia entrar no consultório da nutricionista e ela ia fazer o laudo autorizando a cirurgia, eu ia embora e pronto.

Mas não... ela explicou que eu preciso voltar a me alimentar direito - o que fez sentido -, pois após a cirurgia eu vou precisar reaprender a comer, meu estômago estará melhor e eu precisarei ir me acostumando com a falta de açúcar, de chocolate, de ansiedade, etc e tal.

E aí passamos a consulta falando de tudo o que eu já sabia, pois já fiz dieta funcional por um ano. Mas tudo bem. Entre uma pergunta e outra dela, eu fazia perguntas sobre o pós-cirúrgico, etc e tal.

Ela foi legal, mas malvada ao mesmo tempo. E na verdade eu precisava ouvir tudo isso. Preciso ir me acostumando com a alimentação que terei para o resto da minha vida. Para me manter saudável. O objetivo agora não é emagrecer, até porque o peso que estou agora é bom para a solicitação da cirurgia pela Sulamérica. Mas preciso ir me acostumando.

Preciso me organizar. Preciso voltar a comer direito. A parar de comer doces e açúcares, e massas e pão. Será uma mudança grande, depois de sete meses comendo literalmente merda. Amanhã será o dia. De começar de novo.

Ela não me deu o laudo. Fiquei super preocupada e mandei um whatsapp para meu médico. Ele disse que vai conversar com ela.

Uma das grandes preocupações também é como tomarei meus remédios. Mas o médico me deixou tranquila dizendo que não haverá problemas.

Comecei a ler muito sobre o pós-operatório. Será difícil. Muitas semanas só de dieta líquida. Mas de todas as pessoas que eu sei que fizeram a cirurgia, não tem uma que se arrependa. Então estou no caminho certo. 

Agora é lidar com a minha compulsão noturna.

Doente mental cortando o estômago

Pois é. Ouvimos tanto falar em pessoas fazendo cirurgia bariátrica, até que chega a nossa vez. 

Fui ao consultório de um gastro que fez uma cirurgia em uma pessoa conhecida, amiga de um primo. O resultado foi excelente e ele operou pelo convênio. Ao chegar lá, me pesei. A balança marcou 103 quilos. Eu nunca imaginei NA MINHA VIDA que fosse chegar aos 3 dígitos. Nunca fui magrela, mas sempre estive na faixa dos 60. Engordar 40 quilos não é algo normal. Foi resultado de muitos problemas psicológicos. Não foi relapso, nem falta de vontade, nem safadeza, nem largação. Foram remédios que me deram compulsão, que aumentaram meu apetite, foram doenças psicológicas que me deixaram de cama, sem vontade de me exercitar. Foi a vida de uma doente mental.

E aqui estou eu: correndo atrás de exames e consultas médicas para fazer o pré-operatório da cirurgia. Vou fazer o que chamam de Gastrectomia Vertical, quando se corta o estômago e o deixam em forma de um tubo resistente, com o tamanho entre 180-200ml - ou seja, um copo de requeijão. E esse será o tamanho do meu estômago para o resto da minha vida.

Confesso que estou com medo, já estou tentando mudar hábitos, comer menos, mas não está sendo fácil. Vou precisar muito do apoio do meu psiquiatra e da minha psicóloga, que já autorizaram o procedimento. Além deles, vou passar por uma nutricionista, um cardiologista e um endocrinologista (que foi meu namorado há mais de vinte anos e será bem desagradável ele me ver com mais de 100 quilos). Mas deixado o orgulho de lado, médicos e mais médicos, exames e mais exames, com a finalidade de me deixar não só mais magra, mas também mais saudável. 

Tenho esteatose (gordura) no fígado, meu colesterol está acima do teto - o aceitável é até 170 e o meu está 263... meu triglicérides também não é animador - o desejável é até 150 e o meu está 238. Sou candidata a desenvolver diabetes tipo 2 (meu pai teve). Ou seja, o cenário não é animador de maneira alguma.

Então cá estou eu, cagando de medo do futuro, mas super determinada. Essa semana vou fazer um ecocardiograma, na semana que vem uma endoscopia, passarei pelo cardiologista e pelo endocrinologista (tudo médico particular e depois eu peço reembolso). Ainda falta um eletrocardiograma e um raio X do tórax.

E como uma paciente psiquiátrica vai aguentar tudo isso? Não sei. Vamos ver. Preciso saber lidar com a minha ansiedade acima de tudo. Estou com medo. Mas preciso prezar pela minha saúde.


quarta-feira, 22 de junho de 2016

A vida como ela é

Dezembro de 2015 - Junho de 2016. Tratamento psiquiátrico. Várias trocas de remédios. Tempo improdutivo. Surtos psicóticos. Depressão. Choro. Muita terapia. Tristeza. Incapacidade. Foram sete meses na escuridão. 

Mas, aos poucos, os remédios foram fazendo efeito. A produtividade voltou. O trabalho também. Primeiro um retorno de um job que eu até já havia esquecido, e acabei sendo selecionada. Depois, a oportunidade de trabalhar meio período em algo fora da minha área, para complementar minha renda. E, por fim, a volta de um antigo cliente, que não aguentou ficar nem seis meses sem meus serviços. Fez bem pro ego. Fez bem pra alma. 

A grana ainda está curta. Muitas dívidas contraídas em um período de vacas magras, não só para mim, mas também para milhões de brasileiros. Hoje, acordo e tenho um objetivo... ao invés de ficar o dia todo de pijama escondida no meu quarto. 

Vi o pior de mim... cheguei ao fundo de um poço que eu nunca tinha experimentando antes. Vi o suicídio de perto... e entrei em depressão profunda quando a psicose foi embora. Quem nunca teve nunca vai entender os sentimentos, as sensações, o desespero, a impotência.

Sei que preciso de cuidados constantes. Psiquiatra mensalmente. Terapia toda semana. Remédios. Respirar. Pensar antes de falar. Ponderar. Ser menos impulsiva. Viver a vida com mais leveza.

Ainda não me considero uma pessoa feliz. Mas o que é a felicidade? Estar apaixonada? Ter dinheiro? Ter a vida nos eixos? Não tenho a resposta. Hoje estou estável. Estabilidade é a palavra mais importante para mim no momento.

Estabilidade.   

sábado, 11 de junho de 2016

Uma reflexão sobre o amor e o doente mental

Amanhã é dia dos namorados. Fui casada por nove anos, com mais dois anos de namoro, e nesse tempo não precisei me preocupar com a data, pois estávamos sempre meio quebrados, não trocávamos presentes, nem preparávamos nada especial. Foi aí que percebi que minha vida toda foi assim. Tive poucos namorados. O primeiro, aos 18, pra quem não perdi minha tão guardada virgindade, não estava preparada. O segundo, aos 22. O terceiro aos 26. Dos três levei baitas pés na bunda. E o quarto namorado foi meu ex-marido. Depois que me divorciei não tive mais nenhum namorado. Então na verdade verdadeira, nunca comemorei o dia dos namorados namorando, em 45 anos de vida.

E o que isso quer dizer? Quer dizer que eu já era muito doente e nunca consegui manter um relacionamento. Que eu sufocava meu ex-namorados, pois queria sempre mais, porque estava sempre muito carente, porque nada era o suficiente, porque meu amor era sempre o maior do mundo. Eu não sabia que isso fazia parte de uma doença de impulsos amorosos, bipolaridades, a necessidade de ser amada incondicionalmente.

Passados tantos anos, me pergunto se algum dia conseguirei ter um relacionamento amoroso saudável. Se comemorarei o dia dos namorados com um homem que realmente me ame pelo que eu sou, com ou sem doença. Que esteja do meu lado usando 42 ou 50. Que saiba que a qualquer momento minha depressão pode piorar, e que fique do meu lado me dando o carinho que eu preciso. E que saiba aproveitar minha melhora, para podermos estar bem juntos. 

Será que esse namorado existe? Será que é possível ter um relacionamento sofrendo de uma doença mental? 

Amanhã será um dia como qualquer outro na minha vida. Enquanto casais pelo país afora comemoram suas juras de amor, eu provavelmente estarei encolhida embaixo do cobertor, comendo Nutella e assistindo um capítulo do seriado Ray Donovan.

É a minha vida.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Vivendo na expectativa

Ando numa fase de expectativas. Por mais que eu não queira. Expectativa de conseguir um trabalho. Expectativa de emagrecer. Expectativa de conhecer amigos novos. Expectativa de conhecer um amor. 

Quem não tem expectativas? Dizem que fazem mal pra saúde. Mas como viver sem elas?

Vou confessar que não sei lidar bem com expectativas. Fico ansiosa. Às vezes tenho que tomar calmante. Choro. Fico perdida. Sou impulsiva demais, não dou tempo ao tempo.

Mas vamos recapitular: fiquei quase quatro meses em estado depressivo impulsivo suicida profundo, esperando os remédios fazerem efeito. Foi preciso muita paciência. Saber lidar com expectativas, ser menos impulsiva. Sofri feito uma condenada. A vida não tem prepara para essas coisas. 

Quando somos pequenos, nos dizem que vamos trabalhar, ganhar a vida, casar, ter filhos, ter netos, ficar velhos e morrer. Ninguém fala em doenças, em rompimentos, em erros, em expectativas, em impulsividades, em remédios sem fim. Ninguém nos prepara para a morte, seja ela quando acontecer. Todo mundo só quer te ver feliz e quer ser feliz e finge que está tudo bem, joga tudo debaixo do tapete e segue vivendo como se nada estivesse acontecendo.

E quem NÃO CONSEGUE fazer isso? Quem é superlativa, exagerada, louca varrida com a vida? Que chora quando leva pé na bunda ou perde o emprego? Que não aguenta esperar as coisas acontecerem e quer uma resposta imediata? Ninguém nos ensina isso. 

Também sou gente. Estou aqui lutando. A única diferença é que falo sobre minha vida. Conto tudo. Nos mínimos detalhes. Porque eu quero compartilhar. Porque é importante pra mim compartilhar. Por que ninguém ensina?


domingo, 22 de maio de 2016

E como fica o amor?

Imagina eu sentada num primeiro encontro com um cara que não conheço.

O que você faz da vida?

Ah, sou jornalista, mas estou meio desempregada, sabe, sou overqualified e ninguém quer me contratar, então as coisas estão meio mal lá em casa, pois estou com as contas atrasadas e tal. Mas nada de especial.

E como anda sua vida, você sai, onde vai para se divertir?

Olha, fiquei 4 meses enclausurada porque tenho vários problemas mentais e tive um surto, faz três anos que estou em crise, só faz um mês que comecei a melhorar.... mudei de médico 3 vezes, de remédio umas 50, mas vou melhorar, o problema é se eu tiver uma recaída, mas sou uma pessoa legal, tirando isso não saio há meses, nem sei o que tem rolado em São Paulo, uma pena, ninguém me chama pra sair, estou meio desenturmada, aliás, super desenturmada, sabe como é, mulher divorciada, ninguém convida e tals.

Ah, então faz tempo que você não namora.

Namorar? Hahahaha! Me divorciei há 6 anos e desde então ninguém quis saber de mim, sabe, como sou muito ansiosa, não dou tempo dos homens me convidarem, nem sei fazer aquele joguinho de sedução, aí estrago tudo, por isso tive vários casinhos, mas espantei todos porque não consigo me controlar e estrago tudo mesmo, tipo, se você não me ligar amanhã vou passar mal, ter que tomar ansiolítico, aí no fim do dia vou te chamar no whatsapp e falar um monte, e você não vai entender nada, aí nunca mais vai querer me ver na sua frente.

The end




sexta-feira, 6 de maio de 2016

Pequenas grandes vitórias

Melhorar é, em primeiro lugar, ficar meio perdida. Qual é meu limite? O que eu posso fazer sem me prejudicar? Melhorar é o primeiro desafio de tantos outros.

No meu caso, ouvi tanto do meu psiquiatra quanto da minha terapeuta que eu precisava andar, andar, andar. Como andar na rua é muito chato e é preciso pegar o carro para ir a um parque, resolvi me matricular em uma academia de bairro que eu já conheço e onde o sol bate de manhã - não aquelas academias que ficam tocando música bate-estaca e são escuras. Problema resolvido. A cada dois dias, vou lá e faço exercícios aeróbicos ao som do Programa Encontro com Fátima Bernardes (é brega, mas ajuda a passar o tempo).

Minha cabeça também voltou a funcionar melhor e nos últimos dias consegui trabalhar pelo menos 1 hora por dia, uma grande vitória devido as circunstâncias.

Em relação aos meus filhos, fato que me preocupava demais, passei o fim de semana com eles e fizemos tantas coisas que no domingo à noite eu estava acabada. E eles passaram tanto tempo comigo esta semana - e nossa TV quebrou e as noites foram mais agitadas - que esta noite eu dormi 12 horas seguidas de tão cansada que estava. 

Está aí o limite. Não posso sair agarrando o mundo. São pequenas grandes vitórias todos os dias... mas é preciso dosar para não extrapolar. 

Meu grande medo é o retrocesso, algo que também tenho conversado muito em terapia. Mas a terapia me assegura que agora estou embasada com médico, remédios e terapia, e um retrocesso nesse ponto de longa caminhada é mais remoto. Acho que eu não aguentaria passar por isso tudo de novo.

Existe luz no fim do túnel da depressão. O caminho é árduo, muito difícil, muitas pessoas se afastaram de mim nesse processo, mas outras novas chegaram na minha vida. E é preciso celebrar.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

O começo da melhora - uma carta para mim mesma

Tudo é muito estranho.

De repente você acorda de um pesadelo que não tinha fim e vê que existe vida. Vida. Não a morte. A vida me chama, como se sussurrasse: Cléa, está na hora.. acorde, tem um mundão lá fora esperando por você.

E eu acordei. Fui espreguiçando aos poucos. Pus o pé na grama. Deixei o sol bater no rosto. Me alonguei. Caminhei. Sorri. Dancei. Comi pouco. E a vida foi chegando no meu coração. E a sensação foi maravilhosa!

Bem-vinda à Terra, Cléa. Tem um mundão de coisas te esperando. Aos poucos você vai começar a enxerga-las com mais amor. Mais carinho. Mais gratidão. Ria, caminhe, abrace, ame!

Mas vamos devagar. Não precisa sair correndo. Vá no seu ritmo. Um dia de cada vez. Um passo de cada vez. Um respirar de cada vez. Porque o mundo não vai embora. Ele está aqui te esperando. Aos poucos você vai melhorar. E vai conseguir enxergar a beleza que está em volta. As pessoas que te rodeiam. 

Diga adeus a quem não te acompanhou nesta caminhada triste. Receba os amigos novos que estão chegando em sua vida. Seja feliz com eles. Compartilhe esta nova etapa. Abrace, ria, chore de alegria.

O mundo está te esperando. Ele nunca foi embora, pois ele acreditava em você. Seja feliz, Cléa. 

segunda-feira, 11 de abril de 2016

O vazio

De repente minha vida virou este grande vazio. Não ando, não falo, não sorrio.... não nada.

Estou presa dentro de uma doença que não passa, de uma dor que não tem cura.

Os dias passam e eu não sei mais o que fazer para melhorar, pois não tem nada a ser feito.

Apenas esperar.

De repente, minha vida virou este grande poço escuro. Onde a luz não brilha. Apenas o vento uiva.

A vontade é de sumir. Pra que viver uma vida dessas?

Por que ficar?

Pra que esperar?

De repente minha vida virou este grande nada. Não faço nada, não vejo nada, não sinto nada....

Onde estava o amor que estava aqui?

Onde estava o bem-estar? E a esperança?

Estão esperando?

sábado, 9 de abril de 2016

Sábado de sol

Até oito anos atrás, eu não podia ver o sol brilhando num fim de semana, que saía correndo, colocava um biquíni e ia pro clube tomar sol. Amava o sol. Ele era meu astro rei.

Mas... há oito anos algo morreu dentro de mim. Nasceu meu filho mais novo.... eu tive tumores no fígado, depois passei por uma cirurgia de coluna que foi muito intensa em termos de dor, e depois veio o divórcio. 

Fiquei gorda e, se não fosse um episódio de mania da bipolaridade, teria sido assim até agora. Mas o ano de 2013 foi repleto de manias, de ficar sem comer, de me exercitar como louca e transar com o primeiro que aparecesse, afinal, eu estava magra e podia tudo.

Algo morreu dentro de mim. Não desejo mais sábados de sol. Eles me incomodam. Parece que existe uma obrigação de sairmos pra rua, de vivermos. E eu não consigo. Tenho dado preferência para os dias nublados. Se estiver chovendo, ainda melhor. Pois aí temos uma desculpa. 

Não vejo a hora de fazer frio. O calor tem me incomodado muito. O peso, meus pés doem, minhas roupas parecem de uma senhora de 60 anos.

Algo morreu dentro de mim. Não consigo mais viver como há oito anos.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

A vaidade se esvai

Toda mulher gosta de ir ao salão... fazer o cabelo, tratar das unhas, depilação. Quem não gosta de um mimo?

Não quando se está com depressão.

Quando estamos deprimidos, nada disso importa. A unha fica por fazer.... meses por fazer. Depilação? O que é isso mesmo? Cabelo?

Nem colocar um brinco eu coloco mais.

O básico, só o básico. Tomar 1 banho por dia. Escovar os dentes após as refeições. Usar calcinha e soutien limpos. Calça. Blusa. Sandália, pois o pé está muito inchado. Passar um pente no cabelo. Pegar a bolsa. Ir na terapia. Voltar pra casa. Tirar a sandália. Almoçar. O básico do básico do básico.


quarta-feira, 6 de abril de 2016

Troca de experiências

Quando eu abri uma página de comunidade no Facebook, há dez dias, não imaginei que depois de tão pouco tempo eu já teria 13 mil seguidores. É gente que sofre como eu, que está deprimida, não tem com quem conversar, ou precisa apenas de uma palavra de incentivo.

Claro que tem muitos beatos dizendo que minha cura só é possível através de Jesus, sem o mínimo respeito se eu tenho alguma religião, ou não. Mas na maioria é gente buscando informações, querendo uma mão estendida.

Atualmente estou numa fase da doença que estou caminhando passinhos pequenos todos os dias. Que cada coisa que consigo fazer é uma pequena vitória. Hoje consegui caminhar 15 minutos, mas amanhã não sei como será.

O fato de ter uma rede com mais de 13 mil pessoas interessada no assunto mostra o quão pouca informação temos e como existe pessoas desinformadas, ou que querem apenas um dedo de prosa. Pra mim está sendo uma lição, uma troca, conversar com gente tão diversificada, de todos os lugares do Brasil, que sofrem diariamente, sabem o que é ser discriminado por uma doença...

Muitas vezes escuto dos outros que não posso ficar com o "estigma" de ser a moça depressiva. Mas é quem eu sou, não dá pra separar quem eu sou da doença, pois essa sou eu. Dá pra entender? Estar bem ou mal é uma questão de balanço químico do meu cérebro. Mas essa sou eu, sem tirar nem por. E eu gosto de compartilhar com os outros, e mostrar que não estou sozinha.