segunda-feira, 27 de julho de 2015

Odeio fazer aniversário

Eu odeio fazer aniversário. É um dia normalmente triste. Saudoso de mim mesma. Solitário. Tenho histórias muitos ruins dos meus aniversários. 

Nem sempre foi assim. Até os 14 anos, todos os meus aniversários foram felizes, como deve ser para uma criança e adolescente. Festas repletas de amiguinhos, meus pais eram sempre super criativos, a casa ficava cheia. Meu pai sempre bolava uma lembrança especial, numa época que ninguém dava brinde. Era especial. E já na adolescência, a turma da escola era unida e muito querida. E a casa continuava cheia. Festa como antigamente, na sala de casa. Foram anos felizes.

Aí mudei de escola no colegial. E perdi a referência. Não consegui fazer novos amigos com facilidade, pois estava num mundo totalmente diferente do meu, e meus amigos de infância se afastaram. Eu ia prum acampamento desde os 9 anos, mas as amizades se restringiam ao tempo de duração da temporada. Meu primeiro aniversário muito triste foi aos 16 anos. Quis fazer numa boate. Coisa da época. Convidei todo mundo da escola nova, todo mundo da escola velha, as meninas do ballet. NÃO VEIO NINGUÉM. Fiquei lá, a noite toda esperando. E não veio ninguém. It broke my heart. Ninguém se explicou. Ninguém deu um telefonema. E eu comecei a odiar meus aniversários.

Não, nunca tive uma festa surpresa. Já organizei. Já participei. As pessoas fazem isso. Pra mim, nunca fizeram.

Devo ter tido algumas experiências legais nos meus vinte e poucos, época de faculdade e trabalho em shopping. Tenho algumas fotos. Mas foi isso, e pronto. Parei de comemorar meus aniversários e tentar fazer festa por medo de não vir ninguém. Não conseguiria lidar.

Depois de casei, passei a comemorar meu aniversário de maneira intimista, só com a família. E assim foi. Até chegar meu aniversário de 40 anos. Era um marco na vida. E meu ex-marido (na época marido) me prometeu um jantar especial num restaurante chique. O dia correu bem, com redes sociais, os aniversários passaram a ser um pouco mais divertidos com os parabéns. Anyways, chegou meu aniversário de 40. Chamei minha mãe para ficar com as crianças, para podermos sair. Por volta das 19 horas, minha mãe já em casa, virei pro cara e disse: vou tomar banho e me arrumar. E ele me lançou: "estou tão cansado hoje... podemos ir no sábado?". Oiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii? Como assim, era meu aniversário de 40 anos!!!! Não não podemos ir no sábado! Meu aniversário é hoje!!! Fiquei tão, mas tão magoada (e já estava desamando dele, e isso só foi reforçando a ideia de que eu não queria mais ficar nessa relação), que pus o pijama e fui pro quarto. Sem jantar, porque não tinha NADA na geladeira. Ele veio... "ah, mas fica na sala comigo, é seu aniversário". Mandei tomar no cu e fui dormir. (um mês depois pedi o divórcio).

Nos primeiros dois anos pós-divórcio nem consegui pensar em aniversários. Retomei a coisa família: comprar um bolinho e apagar a velinha com as crianças e minha mãe. Só.

Mas, quando fiz 43... eu estava numa fase boa, feliz, dançando, magra, etc etc etc e resolvi dar mais uma chance: fazer uma festinha em casa para a mulherada. Convidei (sem brincadeira) umas 80 mulheres. Comprei tanta comida, tanto vinho, roupa nova... Vieram 10. Sim, vieram 10 pessoas. A comida sobrou toda. Tentei curtir com as amigas que prestigiaram, comi tudo o que tinha direito, bebi. Mas nunca entendi porque outras 70 pessoas não vieram.

Ano passado foi o pior. Meu aniversário caiu bem no dia dos pais. Meu pai faleceu em 2001 (seis meses antes do meu casamento). E meus filhos foram passar o dia com o pai. Minha depressão estava rondando... passei o dia chorando, no quarto escuro, perdida da vida. Eu estava tão sozinha, mas tão sozinha que não conseguia respirar. No fim do dia, quando as crianças chegaram, me recompus e fomos comer uma pizza. Pois é.

No próximo dia 10 de agosto completo 45 anos. Anos assim são meio marcos, né? Cheguei exatamente na metade da vida (isso se eu for até os 90... rs). Depois de passar pela pior crise de depressão da vida, resolvi que seria bom pra mim comemorar. Mas nada grande. Convidaria apenas aquelas que são mais próximas, que se preocupam, que estão presentes na minha vida de alguma maneira. Convidei seis amigas mais próximas para um queijos e vinhos. Cinco delas me responderam que não podiam naquela data - cada uma com seu motivo super justificável e tal... não fiquei chateada, sei que a vida não é fácil e todos temos nossos problemas. Mas, resolvi desencanar e cancelar. Acho que não nasci pra comemorar aniversários. Às vezes me sinto invisível. Principalmente nesses dias. Não são felizes há muitos anos. Odeio meu aniversário.